Esse espaço foi criado para divulgarmos crônicas sobre o Flu, tanto de escritores famosos quanto de iniciantes. Não deixe de conferir no final da página as crônicas anteriores. A Influéncia da imprensa na imagem elitista do Fluminense, A monografia que meu amigo fez ( acabou de se formar em jornalismo), sobre a Influéncia da imprensa na imagem elitista do Fluminense, espero que gostem.... Felipe Reis Costa de França Nickname: Felipe_Franca E-mail: fcdf@eagv.com.br Cidade: Niterói-RJ Data: 09/12/2008 às 09:40 INTRODUÇÃO O esporte, a cada dia se torna o meio mais eficaz na união de povos de quase todos os países, classes sociais, culturas e etnias. O futebol é sem dúvida nenhuma, nos tempos modernos, a modalidade mais popular do mundo, pois uma maioria esmagadora, se não o pratica, ao menos acompanha seus times de coração torcendo por eles fervorosamente nos devidos campeonatos. O futebol é um esporte tão intenso e mágico que é capaz de integrar milhões de pessoas que provavelmente nunca iriam se conhecer, muito menos conversarem, quanto mais um abraço depois de um gol feito pelo time do qual é torcedor. Neste momento mágico pode-se perceber que as diferenças de todo mundo somem por alguns segundos e torna todos em um só. Um exemplo evidente deste aspecto é a Copa do Mundo capaz de reunir paises até em grave conflito fato acontecido na Copa do Mundo de 98 com o jogo entre Estados Unidos e Irã. Esta modalidade, que hoje é a mais praticada no mundo, nasceu com os moldes que vemos atualmente, na Inglaterra, em 1848, e era praticado pela elite inglesa e, aos poucos foi se popularizando. O profissionalismo no futebol aconteceu em 1885 e foi trazido ao Brasil por Charles Miiler em 1894. O tema central que será abordado neste trabalho terá seu contorno em um dos times com maior tradição do Rio de Janeiro para não dizer do Brasil, com a influência da imprensa na construção da sua imagem como clube mais elitista no cenário nacional. O Fluminense Football Club, por ter um histórico vitorioso, desperta a atenção e a curiosidade de milhões de torcedores não só do próprio Fluminense. Provavelmente muitos curiosos gostariam de conhecer a trajetória desde seu surgimento, em 1902, a construção da sede no bairro d as Laranjeiras, seus inesquecíveis e marcantes títulos e seus principais ídolos e torcedores. Momentos terão destaque, como o tri-campeonato Estadual conquistado pela famosa Máquina Tricolor na gestão do presidente Francisco Horta, inesquecível conquista do estadual com o gol de barriga de Renato Gaúcho sobre rival o Flamengo na final do Estadual de 1995, o recente e inédito campeonato da Copa do Brasil e os rebaixamentos de 96, 97 e 98 como também alguns fracassos a serem abordados. O Fluminense é considerado por muitos torcedores e, principalmente pela imprensa, um dos clubes mais elitistas do Brasil por ter uma torcida com poder aquisitivo elevado e cujo seu fundador ter sido um #nobre# chamado Oscar Alfredo Cox, jovem de classe rica e tradicional do Rio de Janeiro. E é claro, em razão disto, o escudo do clube é simbolizado com um maestro de cartola, o Cartola, que demonstra elegância e imponência de tradicionais aristocratas. O Fluminense aos poucos foi permitindo que outros jogadores que não fosse de classe rica e de cor branca participasse de seu time de futebol. Em 1914, contra a vontade de quase todos os conselheiros e sócios do clube os diretores contrataram o primeiro negro da história do tricolor. Este episódio que foi praticamente o principal para que o futebol se tornasse mais popular é conhecido até hoje como pó-de-arroz. Uma pequena prévia do acontecido é que o primeiro negro a ser contratado pelo clube foi rejeitado por toda a torcida do próprio time e, envergonhado, passou pó de arroz no corpo todo mas com o desenrolar da partida ele suou e o pó saiu. Porém como possuía uma habilidade ímpar acabou caindo nas graças da torcida. O clube na época foi muito criticado pela imprensa pela discriminação racial o chamando de minoria rica, ou seja, os aristocratas cariocas. O Fluminense, popularmente conhecido como Tricolor das Laranjeiras, foi alvo principal de crônicas publicadas pelo jornalista, teatrólogo, romancista e tricolor #doente#, Nelson Rodrigues, que ficaram marcadas na história por serem literalmente geniais. O clube tricolor possui grande curiosidade a ser destacada: é que a maioria dos ídolos que o clube já teve torciam pelo verde, branco e grená antes mesmo de serem profissionais como é o caso de Gérson, o canhotinha de ouro, Branco, coordenador de futebol do clube atualmente, e o eterno goleiro da seleção brasileira Castillo. É de grande relevância dissertar a respeito da história tricolor, pois é a partir dela que nascem outras trajetórias também muito influentes no futebol no caso a do time do Flamengo. O time rubro negro começou com jogadores que eram do Fluminense e, é por este motivo que muitos afirmam que o tricolor é o #pai# do time rubro negro. É possível falar que um dos clássicos mais bonitos e competitivos é o Flamengo e Fluminense. O clube das Laranjeiras tem suma importância no futebol nacional, pois foi o primeiro a profissionalizar seus jogadores. Antes desta profissionalização o futebol brasileiro ainda era considerado um esporte amador porque seus praticantes tinham uma profissão paralela ao esporte para poder se sustentar. Este pioneirismo está refletido até hoje porque atualmente o clube do Cartola é o que detêm mais títulos estaduais ao longo das competições, juntamente com o Flamengo. É importante registrar a criação de suas torcidas organizadas que começaram a surgir antes mesmo do futebol ser um esporte popular. Os aristocratas que torciam pelo clube já se organizavam para discutir em reuniões como ajudar seu time de coração a ser o melhor do Rio. A imprensa desde seus primórdios é e sempre será formadora de opinião, ela de certa forma influencia muitos de nós com que ela quer ou não expor. Tanto no campo da política, da cultura e no âmbito esportivo principalmente no futebol ela nos direciona a pensar de certa forma que parece que é o certo. Em resumo, nem sempre o que está sendo veiculado pela mídia corresponde integralmente que está acontecendo. A mídia, na verdade em muitos casos provoca, acidentalmente ou não, uma tendência de acontecimentos e não os fatos é que fazem ela divulgá-los. Os meios da imprensa da época como por exemplo os jornais, as rádios, e as televisões não fariam nada absurdamente contra a ordem vigente porém estes podem fazer grandes alardes e estragos na imagem tanto de uma pessoa quanto de uma empresa. Como o Fluminense foi o percussor do futebol no Rio de Janeiro e na época este esporte era para ricos de famílias tradicionais a imprensa na época enfatizava que o clube carioca era formado por nobres de família tradicional. Com toda razão, bem no inicio da modalidade mais praticada no mundo atual, ela teria todo tipo de prova parar falar que de certa forma o clube seria um tanto esnobe em relação aos demais. É certo também afirmar que os torcedores do Fluminense, a maioria deles mais especificamente, têm um poder aquisitivo mais elevado do que seus rivais, porém o clube se popularizou tanto que é possível afirmar que até em favelas existem torcedores do tricolor carioca, coisa que no inicio do século 20 era impossível dizer. Apesar desta popularização a imprensa continua afirmar que o clube é elitista. É a partir deste raciocínio que iremos dissertar brevemente a história do clube e o papel da imprensa incluída na mesma. CAPÍTULO 1 SURGIMENTO DO FLUMINENSE FOOTBALL CLUB 1.1. CRIAÇÃO, FUNDADORES E PIONEIRISMO NO FUTEBOL CARIOCA No início do século XX, os esportes mais praticados e preferidos da maioria da população carioca era o turfe e remo, tanto que a imprensa esportiva só noticiava em seus jornais sobre estes. Porém,o futebol, trazido por Charles Miller, já era bem organizado no estado de São Paulo em meados de 1901 e não despertava interesse dos cariocas por ser considerada na época uma prática esportiva para ricos. O começo da atividade, nascida na Inglaterra, em terras cariocas se deu graças a um jovem de 22 anos chamado Oscar Alfredo Cox, futuro fundador e 1° presidente do Fluminense, que resolveu implantar na então Capital Brasileira o esporte pelo qual conheceu e se apaixonou em Lausane, na Suíça, onde concluir seus estudos. A tarefa do jovem Cox de conseguir praticantes do futebol não foi nada fácil, pois a população carioca ainda só tinha olhos para o tradicional remo e o turfe. Mas finalmente, no dia 1° de agosto de 1901 ele conseguiu reunir praticantes para o sua tão sonhada partida. O jogo aconteceu no Rio Cricket em Niterói, e terminou em 1 a 1. A equipe montada por Cox enfrentou um combinado de ingleses. Fonte: Internet Oscar Cox Após esta partida mais outras duas foram realizadas e também terminaram empatadas. Entusiasmado com os resultados o jovem resolveu ir á São Paulo enfrentar na época os melhores jogadores de futebol do país. Em outubro do mesmo ano, Oscar Cox e sua equipe excursionou por São Paulo realizando várias outras partidas e voltou desta turnê com um propósito concreto em mente: montar um clube de futebol. Foi no dia 21 de julho de 1902 na residência de um dos jogadores do time de Cox foi fundado o Fluminense Football Club. Ficou decido em uma assembléia feita na casa de um dos fundadores que Alfredo Cox seria o Presidente. Nesta reunião, também ficou registrado os primeiros sócios e deles estavam: Oscar Cox, Louis de Nóbrega Junior, Mário Rocha, Domingos Moutinho, Horácio da Costa Santos e Félix Frias; presidente, vice, 1° secretário e tesoureiro respectivamente e os dois últimos integrantes da comissão de esportes nessa ordem. Estes faziam parte das mais ricas e tradicionais famílias do Rio de Janeiro por isso o Fluminense é rotulado não só pela imprensa, mas por parte da população carioca como clube elitista e de torcida rica. Existem duas versões para o batizado do nome do primeiro clube carioca: a primeira que consta na ata de fundação do clube é que foi dado o nome Fluminense, pois este começou a ser montado na partida em Niterói e era dado o nome fluminense para os que nasciam no Estado do Rio de Janeiro e Carioca para os que nasciam na Capital. A segunda versão que não consta na ata do clube é que o Fluminense vem do vocábulo latino Flumen (fluvial ao rio) por isso veio por analogia Fluminense. Como idealizado pelo jovem admirador do futebol, Cox, conseguiu criar um clube de futebol, mas para que essa aventura seguisse adiante ele e seus amigos que também jogavam futebol precisariam de um local próprio para treinar e não depender de viagens interestaduais. E, para a resolução deste pequeno problema, como Oscar dizia, em Assembléia no dia 17 de outubro de 1902 no Clube das Laranjeiras, que ficava na época no Largo do Machado, a comissão desportiva do Fluminense arrendou um terreno na Rua Guanabara com 115 metros de comprimento e 135 de largura, um espaço considerável para a construção de um campo de futebol. O Fluminense, hoje popularmente conhecido como tricolor carioca, no início de sua grande história não era tricolor. Assim que o clube foi fundado ainda em 1902, em outra reunião ficou decidido que a camisa de futebol teria duas cores, branca e cinza, calções brancos e meios pretos e uma curiosidade a ser explanada é que os jogadores ainda usavam boné na cor cinza com o escudo do clube. Para a alegria de toda uma nação que admira as cores verde, branco e grená os sócios após alguns jogos com os tais uniformes não gostaram destes uniformes e resolveram trocá-los. Oscar Cox então, foi para Inglaterra em busca de tecidos para a fabricação das camisas e bandeiras e, ainda pretendia comprar na cor cinza só que para a felicidade e sorte deles era muito raro encontrar tecidos nesta cor. Tendo em vista este pequeno obstáculo ele sugeriu por carta enviada ao Brasil que o Fluminense combinasse na sua bandeira e em seu uniforme as cores verde, branco e grená. A idéia do fundador foi aceita de imediato e partir daí nasceu o #Tricolor carioca# atualmente também conhecido como Tricolor das Laranjeiras. 1.2. O COMEÇO DE UMA MARCANTE HISTÓRIA E A RESPOSTA DA IMPRENSA COM A NOVA MODALIDADE Com a implantação do futebol no Rio de Janeiro e criação do primeiro time de futebol carioca, a imprensa passou a não somente cobrir eventos de turfe e remo. Aos poucos, com pequenas notas nos jornais ela começou a dar um pouco de importância no esporte que hoje tem sem dúvida um lugar cativo em seus noticiários. O primeiro jogo oficial do Fluminense e também originalmente anunciado pela imprensa foi contra o Rio Football Club em 19 de outubro de 1902 e foi onde começou sua grande campanha o derrotando por 8 a 0. Em razão deste jogo surgiu um dos primeiros comentários futebolísticos da imprensa que no dia 22 do mesmo ano publicou através do jornal A Notícia a seguinte nota: Enorme multidão de pessoas gradas a nossa sociedade acorreu pressurosa, no dia 19 de outubro corrente,domingo, ao Paysandu Cricket Club, para assistir ao desafio do football entre as duas notáveis sociedades. Ao Fluminense F. C . coube a vitória por 8 goals contra 0 ( 1902, A notícia). Esta nota é um bom exemplo a demonstrar que o futebol era esporte para poucos pois algumas palavras ainda eram escritas em inglês dificultando a popularização do mesmo, em vista de que na época ainda havia um grande índice de analfabetismo. O futebol no Rio de Janeiro se tornou mais acessível, não a todos, mas para uma minoria rica graças à construção do estádio das Laranjeiras e a atenção que a imprensa começava a dar ao esporte que se tornaria o mais popular posteriormente. Com o surgimento de alguns clubes como América, Bangu, Botafogo entre outros, o tricolor carioca resolveu reunir os times de futebol e fazer uma Liga que depois veio a se tornar o Campeonato Carioca. A imprensa carioca então começava a penetrar de vez no mundo do futebol. O primeiro Carioca aconteceu em 1906 e teve como campeão o Fluminense com uma campanha invejável e o mesmo aconteceu em 1907. Porém foi na segunda edição do campeonato que nasce uma das maiores rivalidades do Rio de Janeiro: Fluminense X Botafogo. Este clássico intitulado pela imprensa de #Vôvô# é o mais antigo de todo o Rio. A rivalidade entre os clubes começou mesmo em 1906 com goleada do tricolor por 6 a 0 mas no ano seguinte os dois clubes terminaram o torneio empatados e o título foi dado ao Fluminense. Em 1908 o Fluminense já estava conquistando seu tri campeonato e logo a seguir em 1909 o tetra. O futebol já começa a se tornar a estrela em notícias nos jornais deixando seu papel de coadjuvante. Os pequenos públicos que freqüentavam os estádios cresciam cada vez mais, os jornais começavam a ir aos jogos fazendo a famosa cobertura esportiva e o futebol estava se tornando mais conhecido. O crescimento do esporte e a evidência que os grandes jornais davam para ele fizeram com que vários outros times surgissem como em 1911 o Flamengo. O curioso é que o time do Flamengo se formou com nove jogadores do Fluminense o que a imprensa apelidou-os de #Pai e filho#. O primeiro clássico aconteceu em 7 de julho de 1912 e o placar foi surpreendente: 3 a 2 para o Fluminense. A surpresa se deu porque o time do rubro-negro era o titular do tricolor antes de saírem do time, ou seja, os titulares perderam para seus reservas. Então se pode dizer que foi Fluminense (reservas) 3 Flamengo (titulares) 2. Em 1915, o América enfrentou uma grave crise e muitos de seus jogadores debandaram para o Fluminense entre eles Carlos Alberto, um negro. A torcida tricolor e a maioria de seus fundadores era composta por membros da alta e selecionada sociedade carioca e eram racistas. Carlos Alberto foi o primeiro jogador negro a vestir a camisa do Fluminense, porém não teve uma passagem agradável. Ele era repudiado pela própria torcida que o chamava de #mulato pernóstico# abalando assim o jogador chamando atenção da imprensa que não noticiava muito sobre o assunto por pedidos de dirigentes tricolores que eram muito influentes. O apelido dado ao Fluminense de Pó de Arroz surgiu com este jogador que para disfarçar o tom de pele, que causava revolta dos membros de sua própria torcida, passou este pó para ficar branco. Porém no decorrer da partida o jogador suou e o pó foi saindo e a torcida adversária começava a gritar pó de arroz. Anos mais tarde, quando o time se tornou popular é que os torcedores como formas de festa adotaram a brincadeira para abrilhantar os jogos de seu time jogando o pó da arquibancada. Carlos Alberto participou da campanha do tri-campeonato de 17, 18 e 1919, mas jogou poucas partidas por influencia negativa dos dirigentes tricolores. Após este constrangedor episódio racista a imagem do Fluminense estava um pouco abalada perante a sociedade. A imprensa, por mais que tentasse esconder que os torcedores e diretores do clube tricolor fossem racistas, o fato ficou em tanta evidencia que foi impossível de não noticiá-lo. A imagem tricolor se retocou logo após, em 1920, com a inauguração de sua nova bela sede localizada na Rua Guanabara. Agora o clube não mais apenas conta com o futebol, também construiu piscina, quadra de tênis, aonde eram praticados esportes considerados elitistas, construiu teatro e passou a competir em várias outras modalidades como vôlei, basquete e atletismo. Para que isso acontecesse o clube contraiu dividas e empréstimos pois teve que comprar inúmeros imóveis que ficavam nas redondezas. O Fluminense começava a se tornar um dos principais se não o principal formador de atletas de todas as modalidades. A sede do clube foi palco de festas da alta sociedade carioca e freqüentado por pessoas ilustres como Santos Dumont, tricolor doente, foi sócio honorário n° 11 do clube. Isto pode ser um fator considerável para que o Fluminense seja considerado clube elitista. Já em 1922 após um ano desastroso para o clube que quase foi rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Carioca, foi pedido ao Fluminense que organizasse os Jogos Latino-Americanos e o Campeonato Sul-Americano de Futebol. Novamente, o então Presidente do clube Arnaldo Guinle não mede esforços para reformar as instalações e sediar jogos internacionais. Os jornais, noticiavam a importância o clube tanto no futebol, como potência, também em outras modalidades. O clube com essas reformulações e sendo competidor de tantas outras modalidades estava se aproximando de sua maior com conquista de todos os tempos: A Taça Olímpica. Esta taça, também conhecida como Taça de Honra, é dada aos clubes que se organizam de forma exemplar nos esportes olímpicos e seja vitorioso tanto administrativamente, quanto nos esportes, âmbito artístico, social e cultural. O Fluminense se enquadrava perfeitamente no perfil e muitos anos depois em 28 de abril de 1949 o clube recebeu a maior honra de todo esporte ganhando a Taça. A década de 30 foi muito conturbada tanto para o clube quanto para o futebol carioca. O Fluminense foi mal em quase todas as competições, perdeu seu ilustre fundador Oscar Cox que morreu em 1931, mas seu maior desafio foi mesmo à profissionalização de seus jogadores de futebol. Nesta década o futebol já atraía milhares de admiradores e, principalmente o Fluminense chamava bastante atenção, chegando a ser #culpado# pela imprensa de ser o principal causador do desvio de atenção por parte da população em relação ao turfe e remo para o futebol.A imprensa já cobria o futebol e já o achava tão importante quanto o esporte de equitação. O clube das Laranjeiras foi o pioneiro na profissionalização do futebol, porém encarou um grande obstáculo: Botafogo, Flamengo e São Cristóvão eram contra o profissionalismo, pois alegavam que teriam prejuízo com esta medida. Apesar da contrariedade destes clubes outros apoiavam esta medida no caso o Bangu, Vasco e América. Com o apoio de tais clubes o Fluminense não cedeu as imposições dos clubes contrários ao profissionalismo criou uma nova liga: A liga Carioca de futebol. Durante o período de 1933 a 1936 foram disputados dois campeonatos cariocas distintos: Os de jogadores profissionais e os de amadores. Apesar de alguns times insistirem no amadorismo foi impossível manter este pensamento por muito tempo. O Vasco recém chegado a primeira divisão já pagava seus jogares para que estes se concentrasse mais no futebol para que não houvesse risco de se machucar em quando exercessem outras profissões, coisa que era comum acontecer. Esta medida do Vasco da Gama culminou para o fim do amadorismo. Este período de transformação do futebol foi intensamente notado e noticiado pela imprensa carioca que deu ênfase na importância do Tricolor Carioca para que o esporte se tornasse de certa forma praticado com seriedade. Junto com a implantação do profissionalismo vieram também os títulos do Fluminense. Após alguns anos decepcionando sua torcida o Tricolor carioca conquista mais uma vez o tri-campeonato de 36,37 e 38 que foi considerado um dos melhores campeonatos cariocas de todos os tempos, pois os times eram muito bons. 1.3.CLUBE ELITISTA A década de 40 foi marcante para o clube, pois foi nesta que criaram o famoso mascote tricolor: o Cartola. O Fluminense teve uma característica muito comum que era possuir torcedores famosos, ricos, presidentes, ou seja, figuras ilustres. Foi em função disto que o Cartola foi criado: Para demonstrar a imponência e aristocracia dos torcedores do clube. O idealizador do mascote foi um caricaturista argentino chamado Lorenzo Mollas que homenagear o clube pelo qual tinha admiração. A imprensa noticiava em seus jornais que tal mascote caía como uma luva para o clube, pois este mesmo se achava melhor do que os outros por de certa forma ter um quê de fidalguia. O Jornal dos Sports e o Globo Sportivo, na época principais meios de comunicação da imprensa esportiva concorrentes do jornal #A Noite# foram grandes responsáveis pela imagem elitista do clube. Em grande parte de suas matérias crônicas, e algumas pequenas noticias tratavam o Fluminense como clube restrito para os ricos. Isso seria de certa forma provado pois até a década de 40, onde ainda haviam poucas transações o jogadores do time tricolor eram obrigados a ter uma profissão respeitosa saber ler, escrever e principalmente fazer parte do grupo de sócios do clube. Apesar de ser um clube pioneiro na profissionalização do futebol carioca, coisa que o Vasco já fazia de certa forma por #baixo dos panos#, a imagem do clube continuou sendo perfeitamente igual a seu mascote, como figura imponente. O jornalista e cronista Nelson Rodrigues que descobriu sua paixão pelo Fluminense em 1919, sempre dizia que aquelas pessoas torcedoras do time das Laranjeiras não se tornam tricolores e sim nascem com isso encarnado, fazendo uma alusão ao Flamengo que por mais torcedores possuía nunca terão essa #pose# dos tricolores pó-de-arroz. Uma frase que evidência o fanatismo do autor é: #O Fluminense é o único time tricolor o resto são todos times de três cores#, também nota-se um ar de superioridade do torcedor tricolor em relação aos outros time de três cores podendo ser um outro argumento de clube e seus torcedores serem elitistas. Uma resposta desta imagem elitista é encontrada certamente inserida em sua própria torcida e no clube. Como, a maioria de seus sócios, senão em sua totalidade, pertencessem à alta sociedade carioca esta por conseqüência tinha influencia nos governos e meios de comunicação principalmente jornais impressos, estes influenciavam intitulando o Fluminense de clube elitista. É lógico, que há matérias com certas ironias e criticas ao clube por ser elitista, porém estas são a minoria. Um exemplo claro disso foi o episódio do pó-de-arroz. A imprensa esportiva representada na época principalmente com os jornais impresso #A noticia#, #O Comercio# e o Correio da Manhã eram um dos poucos que cobriam diretamente o futebol, abafaram o caso para não intitular o clube de racista. Embora tenha havido preconceito não só dos dirigentes quanto da torcida o atleta que não era aceito por ser afro descendente ele de certa forma acabou #aceito# por possuir bastante habilidade. 1.4. ANOS DOURADOS Os anos 50 para o Fluminense foram considerados pela imprensa e pelos torcedores, a década dourada tricolor. Fato marcante foi à comemoração do cinqüentenário de sua fundação. A festa aconteceu na vultuosa sede do clube, com presença da alta sociedade carioca quase em sua totalidade torcedores do Tricolor, ministros, presidentes de outros paises latino americanos e até o chefe de estado brasileiro mandou seu representante à festa. Uma curiosidade marcante foi que pela primeira vez os dirigentes tricolores deixaram a imprensa cobrir na integra a comemoração. Neste marco da história, o então presidente Fábio Carneiro de Medonça mandou uma mensagem para os presentes na festa como se fosse uma oração do cinqüentenário: Ouvi em silêncio e concentração a mensagem que da geração fundadora recebeu a juventude em silencio tricolor de 1952, formada no Estádio pelo cinqüentenário do clube, para vos ser transmitida e por vós lida, ao comemorardes o centenário. Enfileirados, ao vosso lado, comparecem os homens , que eram os jovens de julho de 1902. Mas a geração, que vos fala, essa já aqui não está mais. Tombou para sempre à imposição da natureza humana. Estais ouvindo, pois, na palavra viva dos mortos o sentido imortal do espírito tricolor (Medonça, 1952, presidente do clube). No mesmo ano, o time carioca disputaria um torneio internacional (hoje um mundial de clubes), e conquistaria o primeiro e único titulo mundial em 2 de agosto de 1952, diante do Corinthians no Maracanã lotado. Lógico que não se pode esquecer de um dos jogadores e posteriormente técnico mais respeitado mundialmente: Telê Santana, o ponteiro dos segundos,pois além de ser muito rápido nos contra-ataques fazia jogadas inesperadas pela linha de fundo muito rapidamente e de forma genial, segundo o jornalista Mário Filho, irmão de Nelson Rodrigues, nome dado hoje ao popularmente conhecido Maracanã. Outro fato marcante que aconteceu na década de 50 e mais do que nunca fez com que o futebol se tornasse popular, foi a inauguração da TV brasileira, com a TV Tupi a primeira da América Latina. Esta por sua vez, fez algumas imagens da Copa do Mundo de 1950, realizada em território nacional tendo como campeão o Uruguai vencendo o Brasil o já inaugurado Maracanã, que seria o palco de grandes vitórias tricolores. O tricolor carioca, no primeiro campeonato estadual tendo como palco o #maior do mundo# conquistara mais um troféu para sua coleção derrotando o Bangu na final. Na década de 60 o Tricolor começa muito bem e logo no primeiro ano conquista o torneio Rio-São Paulo e perde apenas uma partida. Pela primeira vez disputa a Taça Brasil, competição nacional criada em 1959, porém desta vez chegou em terceiro lugar, mas satisfeitos pois era competição de âmbito nacional. Um fato relevante é que o Fluminense foi o primeiro clube carioca a conquistar um campeonato brasileiro que aconteceu em 1970, pouco comentado na época pois a imprensa estava totalmente voltada para a Copa do Mundo e desde o inicio do mesmo ano anunciava o torneio mundial como o evento de século. A revista Placar e O Jornal dos Sports foram os principais veículos esportivos responsáveis na cobertura deste evento. E foi a própria revista que, anos mais tarde publicou que o time das Laranjeiras seria o primeiro carioca campeão nacional. Uma das fases mais inesquecíveis épocas do tricolor, sem dúvida foi na gestão do presidente Francisco Horta. A expressão termos é usada apenas por pela forma de gestão do presidente que investiu não só no futebol, mas também em vários outros principalmente os olímpicos. O sonhador, apelido dado chamado por muitos torcedores por ter um pensamento bastante otimista, revolucionou o futebol não só carioca, o brasileiro também. Membros da imprensa inclusive Nelson Rodrigues o intitulavam de mágico das negociações, pois era um mestre no ramo. Ele que criou o troca-troca de jogadores e empréstimos por tempo determinado. Sem duvida é correto a afirmar que foi o melhor gestor do clube tricolor e com ele que o clube teve um dos melhores times de todos os tempos: A Maquina Tricolor. Este time foi alvo de muitas matérias da imprensa e crônicas geniais de Nelson Rodrigues, que até hoje são lembradas com saudosamente pela torcida tricolor. Logo após assumir a direção do clube carioca, Horta trouxe um dos maiores craques que o Fluminense já teve: Rivellino, dono de uma habilidade impar, conhecido também como dono da patada atômica, por ter um chute bem potente. A Maquina dos anos 70 era formada por: Félix; Toninho; Silveira; Assis e Marco Antonio; Zé Mario; Cléber e Rivellino; Cafuringa; Gil e Mario Sergio. Indubitavelmente nesta época o Fluminense se tornava um dos mais populares times do Brasil deixando um pouco de lado o ar burguês. Este time foi que trouxe mais público em um estádio brasileiro, um recorde de bilheteria e de público jamais visto chegando a atrair mais 250 mil pessoas nas duas finais decisivas contra o Vasco em 1976, consagrando-se bi-campeão pois já havia ganhado o estadual de 75. A imprensa foi a principal responsável disso pois em seus meios falava que este time não jogava bola e, sim dava espetáculo.Com esta #mãozinha# da mídia o time tricolor atraía milhares de pessoas aos estádios. Por mais inacreditável que pareça o Fluminense formaria um time ainda mais forte nos anos 80, a segunda maquina, Tri-campeã estadual de 83, 84 e 85 e campeã Brasileira de 84 diante de seu rival Vasco da Gama sob o comando do Técnico Carlos Alberto Parreira. A máquina tricolor era escalada com: Paulo Victor; Aldo; Duílio; Ricardo Gomes e Branco; Jandir; Delei e Romerito; Washington e Assis (casal 20). As décadas de 70 e 80 foram literalmente douradas para o tricolor carioca, porém veremos mais à frente no trabalho que já nos anos 90 o time das laranjeiras passou por uma fase como a imprensa diz #fase negra#. Fonte: Internet Máquina Tricolor anos 70 Fonte: Internet Máquina anos 80 CAPÍTULO 2 A INFLUÊNCIA DA IMPRENSA NA ROTULAÇÃO DO FLUMINENSE COMO CLUBE ELITISTA 2.1 A RELAÇÃO DA IMPRENSA COM O FLUMINENSE NO PASSADO E ATUALMENTE Para começar a dissertar sobre a relação do clube com os meios de comunicação no passado e atualmente é preciso explicitar que a imprensa de forma subjetiva vive de relacionamentos. Pode-se afirmar que todos os ramos de trabalhos se dão por relacionamentos sejam eles bons ou ruins, porém os principalmente jornalistas, que desejam conseguir informações importantes, precisam de bom relacionamento em todas as áreas seja ela esportiva ou não. Os clubes de futebol desde o início do século XX, quando começaram a ser fundado, eram #fechados# para a mídia e o relacionamento com a mesma se dava por amizades #extra-campo#. Como o futebol era um esporte novo e praticado por uma minoria rica os meios de comunicação não davam tanta importância pois o hipismo ainda era o mais popular. Inicialmente é necessário afirmar que a imprensa sobrevive do bom relacionamento que possui com os clubes. Antigamente essa questão era bem mais evidente do que hoje pois só entravam no clube para buscar informações os repórteres ou que fossem amigos ou que trabalhassem em grandes meios, de resto era vetado pelos dirigentes, pois estes não queriam que o futebol se espalhasse pelo Estado para que ficasse restrita a classe mais favorecida. Presentemente, ainda há alguns, apesar de raros, exemplos deste assunto. O clube Vasco da Gama por exemplo na gestão de Eurico Miranda tinha um péssimo relacionamento com a imprensa e vez ou outra fechava seus portões e assim não fornecendo sequer uma informação. Com o Fluminense a imprensa aparentemente sempre teve um bom relacionamento. Diz-se de #aparentemente#, pois os diretores do clube tricolor eram os mais influentes na então Capital do Brasil e só admitiam matérias ou notas que divulgassem a imagem do clube de forma elegante. Isto, porém contrariava o fator crucial que os jornalistas precisam que é a liberdade, pois estes eram proibidos de escrever, por exemplo, que o presidente do time tricolor era dono da gráfica que rodava os jornais do Gazeta de Notícias. Em resumo, as notícias que falavam do clube eram praticamente #revisadas# pelos dirigentes do Fluminense. Esta relação só foi mudada quando o Joaquim da Cunha Freire Sobrinho assumiu a direção do clube. Logo após ser eleito presidente do Fluminense, Joaquim pregou a política de divulgar o esporte para que possuíssem mais praticantes fundassem mais clubes e assim tornando- o mais competitivo e atrativo. Foi a partir deste pensamento, exatamente em 1914, ano que aconteceu o episódio do Pó- de- arroz, que será citado mais além, que a imprensa teve plena liberdade de escrever sobre tudo que relacionava futebol e o clube. E, neste mesmo ano foi quando a associação pela primeira vez alvo de críticas por ser elitista. O jornal O Paiz divulgou uma nota sobre o episodio Pó-de-arroz dizendo que o clube por ser rico e da elite não admitia jogadores negros em seu plantel. Já em 1916, com todos os times #grandes# já fundados incluídos América e Bangu, que na época eram difíceis de ser batidos, a imprensa começava a dar bastante importância na área futebolística deixando um pouco o turfe de ser o centro das atenções. Os repórteres já não obedeciam fielmente as #recomendações# dos dirigentes, assim realmente abrindo a porta do que conhecemos hoje de Jornalismo Esportivo. A relação da imprensa não só com o Fluminense, porém também com os outros clubes cariocas começou em 1917, com o campeonato carioca, este tendo dois campeões decididos 90 anos mais tarde, pois Botafogo e Fluminense possuíam o mesmo número de pontos. É Importante ressaltar que dois anos antes deste torneio acontecer, em 1915, o clube modernizou sua sede pela 3° vez e como a imprensa já focava na modalidade o Fluminense reservou um pequeno espaço atrás do campo para que os jornalistas trabalhassem. E dois anos depois, no conturbado campeonato de 1917 pela #primeira vez# oficialmente autorizados os repórteres poderiam entrar em campo e entrevistar quem quisesse do time tricolor e também era permitido entrevistá-los nos vestiários. Começou neste ano a relação direta entre imprensa e jogadores . Este aspecto amenizou bastante o ar #aristocrático# do Fluminense. A partir deste campeonato o relacionamento entre o clube e os meios de comunicação foi na maioria das vezes cordial com respeito mútuo. O Clube respeitava dando as informações que podiam fornecer, guardando sigilos como por exemplo contratações e a imprensa respeitava publicando matérias coesas e verdadeiras sem sensacionalismo. Até 1996 a imprensa tinha livre acesso aos jogadores e vestiários tricolores porém com os seguidos rebaixamentos e seguidas críticas à diretoria, a relação clube imprensa ficou abalada. Após o segundo rebaixamento em 1997, pois já havia sido rebaixado em 96 e #virou a mesa#, a mídia acusava os diretores do clube de incompetentes. Em 1998 já na segunda divisão os repórteres não tinham tanta liberdade de locomoção dentro do clube das Laranjeiras. Com a chegada do século XXI e a volta do Fluminense a elite do campeonato Brasileiro a relação da imprensa com clube e jogadores se tornou profissional perdendo de certo modo o #calor do momento#. Não só com o Tricolor isto aconteceu mas como todo os clubes do Brasil, tendo como parâmetro os clubes Europeus. Atualmente, todos os clubes possuem assessoria de imprensa tornando a relação com o repórter puramente profissional. Após cada jogo, não se vê mais profissionais entrando em vestiários para entrevistar quem quiser. Hoje em dia, estes ficam numa sala de entrevista coletiva e falam com o técnico e um jogador escolhido. Enfim, com a chegada do novo século a relação do Fluminense voltou a ser cordial após todos os rebaixamentos, porém perdeu aquela magia que tinha nos anos 70, 80 e 90. Com os profissionais de assessoria de imprensa dentro dos clubes dando respaldo a estes, pode-se afirmar que a relação clube imprensa tornou-se estritamente profissional. A diferença da antigamente é essa, pois a magia que tinha este relacionamento que o grande Nelson falava, não existe mais se tornando mero exercício de atividade. Um ponto importante a ser ressaltado é que o jornalismo apesar do seu código de ética e de prezar sempre a imparcialidade, no começo das coberturas de futebol, os comentários e narrações eram algumas vezes tendenciosos e parciais. Atualmente, com o profissionalismo fora e dentro de campo este fato acontece muito raramente e quase imperceptível. Como o jornalismo esportivo é um âmbito que necessita de opinião, ou seja, tem caráter opinativo, dos profissionais, sejam elas positivas ou não, se o relacionamento deste não for #bom# com o clube é provável que as matérias ou notas do repórter terão um caráter crítico. 2.2. A INFLUÊNCIA DA IMPRENSA NA ROTULAÇÃO DE CLUBE ELITISTA PRINCIPALMENTE APÓS O EPISÓDIO DO PÓ-DE-ARROZ Sabe-se que a imprensa desde seus primórdios sempre teve e terá um papel importante na sociedade. É a partir dela que se forma alguma opinião sobre certo assunto e a população o determina verdade absoluta. Um exemplo disso é quando se lê uma matéria no jornal, seja ela verdadeira ou não, os próprios leitores já determinam que tal assunto realmente é verdade. Em resumo, tudo o que a imprensa escreve é de certo modo um manual, pois é ela que forma a opinião de muitos. No início do século XX, o futebol no Rio de Janeiro era praticado por uma pequena parte da população, pois esta modalidade era considerada #para ricos#. Até que a imprensa começasse dar mais importância ao esporte mais popular atualmente, os clubes já estavam praticamente estruturados e também sofriam crises, uma dessas desencadeou o episódio do pó-de-arroz. Em 1914, o América sofreu uma grave crise econômica e vários de seus jogadores debandaram para o Fluminense, clube mais rico na época. Nesta migração estava Carlos Alberto, ponta esquerda, rápido, habilidoso, porém havia o que seria um problema para alguns torcedores e poucos dirigentes do clube: o fato do atleta ser negro. A contratação aconteceu por causa desta crise financeira do América, o então presidente do Fluminense Joaquim da Cunha Freire Sobrinho considerado na época pelo Jornal Gazeta de Notícias de ser inovador, foi o primeiro a requerer a contratação do jogador. Um pequeno fato a ser ressaltado, que pode ser um dos motivos do Fluminense ser considerado clube elitista é que para um atleta jogar no tricolor deveria saber ler e escrever e ter uma profissão honesta. O presidente do clube, contrariando esta regra, que seria abolida logo após este episódio, contratou jogadores analfabetos, caso do Carlos Alberto primeiro jogador negro a vestir a camisa do Fluminense. O #Jornal do Commercio# publicando uma matéria sobre a contratação, dando a entender que isso seria uma grande jogada do clube tricolor para dominar de vez o cenário esportivo futebolístico do Rio de Janeiro. Depois vários outros também iriam criticar o clube pela sua conduta. Como na época, precisamente em 1914, além de maioria dos praticantes serem de classes elevadas e de cor branca, os torcedores do Fluminense não gostaram nem um pouco da contratação de um #mulato#, como diziam eles na época, provocando um mal estar entre o jogador o clube e um grande alvo e de críticas por parte da imprensa. Na estréia do jogador em campo contra justamente seu ex-clube, Carlos Alberto foi muito vaiado, ouvindo ofensas de baixo escalão de sua própria torcida que exigia sua saída imediata, com isso o mesmo ficou inibido e não conseguiu desenvolver um bom futebol. As manchetes dos jornais no dia seguinte eram muito parecidas e davam ênfase a péssima conduta dos tricolores. Em suma, os repórteres diziam que o clube do Fluminense por ser elitista não admitia mulatos em seu plantel. A partir deste acontecimento qualquer problema que aconteça é porque o clube é um clube elitista e de torcida de classe alta. Com as manchetes desfavorecendo a imagem do clube, o presidente insistiu na presença do jogador no plantel não só para melhorar a imagem do Fluminense, que estava de clube restrito a elite, também para agregar outros jogadores de classes baixas na associação. No segundo jogo do atleta, o mesmo, por medo de represálias passou pó- de- arroz em todo o seu corpo querendo disfarçar seu tom de pele para que não fosse novamente xingado pela sua própria torcida. Neste jogo, agora contra o Paysandu, Carlos Alberto atuava bem na partida, todas as jogadas passavam por ele na ala esquerda e com isso o jogador começou a suar e o pó de arroz a escorreu no decorrer do jogo. Para espanto do jogador, que havia não havia sido aceito pela torcida, os tricolores o incentivaram gritando seu nome, pois possuía uma habilidade que poucos jogadores tinham. A partir deste jogo para incentivar o atleta a torcida levava o pó e o jogava da arquibancada fazendo um espetáculo à parte. Até os tricolores mais radicais que não eram a favor da permanência do ponta esquerda se renderam ao costume que prevalece até hoje. Apesar disto o jogador não obteve muito sucesso no clube ganhando poucas chances para atuar. A princípio, a imprensa achando que o jogador botou o pó de arroz a mando da diretoria crucificou o clube mais uma vez afirmando que este era elitista e aristocrata e de certo modo preconceituoso. Depois do mal entendido da imprensa o presidente do clube esclareceu o fato botando de certa forma um ponto final nas críticas que estavam sendo feitas ao clube. Apesar de esclarecido toda esta confusão, envolvendo preconceitos e mal entendidos, até hoje algumas atitudes dos dirigentes tricolores são publicadas pela imprensa como #atitude elitista#. Um bom exemplo disso foi o aumento de 100 % do valor dos ingressos para a final da Copa Libertadores 2008. Os dirigentes alegavam que tiveram muitas despesas nas contratações para o torneio, porém a imprensa classificou esta atitude como de clube elitista. Uma nota no jornal Lance dizia que foi feito isto pois segundo os dirigentes a torcida do Fluminense teria plenas condições financeiras de pagar o valor estipulado pelos mesmos. Pode- se dizer que eles estavam certos pois o Estádio Maracanã ficou lotado. A cada momento polemico que tem o Fluminense como astro sempre surge um comentário, por parte da imprensa, que o motivo de alguns problemas é em razão do clube ser elitista e torcida também. 2.3. OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO QUE INCENTIVARAM A POPULARIZAÇÃO DO FUTEBOL CARIOCA Os meios de comunicação como jornais, redes de televisão , revistas entre outros tiveram um papel essencial para que o futebol se tornasse popular no Rio de Janeiro. Principalmente a mídia impressa, que no começo do século era o principal meio de informação, foi essencial nesta popularização. Os principais jornais, até que o futebol se popularizasse, não tinham uma editoria só voltada para esporte e publicavam matérias sobre turfe e remo ao léu, ou seja, ou seja em qualquer outra editoria. Nos anos 20 esta situação mudou radicalmente. A mídia impressa além de ser a pioneira, pois na época ainda não havia redes televisivas, foi o meio de comunicação social que fez com que o futebol se tornasse conhecido também nas camadas mais abastardas. Jornais como: #Jornal do Commercio#, #o Jornal#, #O Paiz#, #A Gazeta de Notícias#, #Correio da Manhã#, #A Notícia# e principalmente e até hoje conhecido Jornal dos Sports foram os impressos que marcaram essa transição do futebol. Um fato interessante é que o primeiro anúncio esportivo devidamente publicado de um jogo oficial no Rio de Janeiro foi do Correio da Manhã e registrou o seguinte: É hoje que se realiza às 4 horas da tarde no campo do Paysandu, o match entre os teams Fluminense Football Club e o Rio Football Club. Para assistir esta emocionante prova recebemos amável convite assignados pelos Directores Srs. Mário Rocha e Dr. Moutinho.(1902, Correio da Manhã ). É notável que algumas palavras ainda eram escritas em inglês pois o futebol fora criada na Inglaterra e esta forma de se expressar veio mudar radicalmente como já dito nos anos 20 e 30 com O Jornal e o Jornal dos Sports. Seria, indubitavelmente impossível massificar o futebol através de matérias como essa pois na época o índice de analfabetismo no Rio ainda era enorme, imagina então ler matérias com várias palavras em inglês? Inviável. Em razão disto os profissionais do meio não apenas por pedido de seus superiores para aumentar suas vendas também por solicitação de clubes já criados para que aumentasse o número de praticantes e conseqüentemente de times, a medida de #aportuguesar# o meio futebolístico foi implantada principalmente pelo Jornal dos Sports. As coberturas esportivas de grandes eventos como finais de Campeonatos Estaduais, Nacionais, Mundiais, foram e sempre serão essenciais tanto na popularização como conhecimento do esporte. Um exemplo a ser explanado foi à cobertura da Copa do Mundo de 1950 acontecida no Brasil que veio a culminar na massificação do futebol brasileiro principalmente no Rio de Janeiro, pois a final deste mundial foi no estádio especialmente construído para tal. O Jornal dos Sports, conhecido por tratar intensamente os assuntos relacionados ao esporte, enfatizando o futebol, foi um dos principais meios impresso que levavam ao conhecimento da população tudo que acontecia nos jogos através de suas coberturas esportivas. Estas coberturas foram de #certa forma# fundamentais na popularização do futebol, pois foi através das mesmas que o povo tomou conhecimento e o gosto pela modalidade mais praticada no mundo contemporâneo. Apesar dos jornais terem contribuírem bastante na popularização do futebol o que culminou neste fator foi a chegada da televisão. A imagem tem a vantagem de dizer muito mais sem precisar de palavras, isso integrava ao esporte os analfabetos. Chateaubriand, dono do #O Jornal# e primeira pessoa a montar uma rede televisiva falava a seguinte frase: #uma imagem vale mais do que mil palavras# fazendo um trocadilho com um ditado popular. Com a chegada da televisão e, conseqüentemente das imagens, indubitavelmente se tornou mais simples transmitir a informação dos acontecimentos e principalmente a emoção do momento. A televisão tem este grande diferencial: consegue transmitir a emoção que a imagem possuiu que as matérias impressas não são capazes de demonstrar. A partir desta época o futebol penetrou em cada canto do Brasil, se tornado a verdadeira paixão da população. Em 1970 o Brasil já buscando seu terceiro campeonato mundial e com algumas redes televisivas já inauguradas principalmente como a Rede Globo à imagem que já era um grande fator na popularização do mesmo, posteriormente ganhou cores. Este fator veio a despertar nas pessoas um vínculo com a televisão que seria o objeto integrador de família, ou seja, todos familiares se reúnem para verem aquele eletro- doméstico com imagens coloridas juntos. A TV sem dúvida foi essencial na massificação do futebol e na integração da população também. Uma revista muita importante para a divulgação do futebol foi Revista Placar. A revista não discorre apenas de futebol em si, também explana curiosidades, estatísticas e alguns fatos #extra- campo#. Esta por sua vez, não chegou a toda a população pelo seu preço não tão acessível e por ter uma linguagem mais direcionada à um publico mais culto. CAPÍTULO 3 GLÓRIAS, ÍDOLOS MARCANTES ,CURIOSIDADES DO FLUMINENSE E A FASE NEGRA 3.1. MAIORES GLÓRIAS, EXPRESSIVAS CONQUISTAS TRICOLORES E CURIOSIODADES O Fluminense Football Club desde sua fundação em 1902 têm em seu histórico, conquistas marcantes e expressivas que fazem com que o clube seja considerado tradicional. Organizado por pessoas de classe alta, inicialmente os dirigentes tricolores pretendiam explorar apenas o futebol, pois a modalidade era uma inovação no Rio de Janeiro. Com o passar dos anos, o clube das Laranjeiras se tornou campeão não só no futebol mas também em quase todas as modalidades olímpicas. O tricolor das Laranjeiras foi o primeiro clube a trazer uma medalha olímpica para o Brasil com o atleta de tiro Afrânio Costa conquistando a medalha de prata. Começando a trajetória recheada de conquistas, o clube tricolor foi tetracampeão em 1906, 1907,1908 e 1909 aumentando consideravelmente sua torcida e conseqüentemente despertando maior interesse por parte da imprensa carioca. Como já explanado,o campeonato de 1907 terminou com Botafogo e Fluminense empatados ao final do mesmo e este só foi decidido em 1997 por um ato administrativo do presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro que declarou ambas as agremiações campeãs. Não é a toa que dizem estes times fazem o clássico Vovô, isto se dá porque é o clássico mais antigo de todos. Em 1911 o clube alcançou um uma marca que até hoje poucos conseguiram: ser campeão invicto. O tricolor já havia conquistado seu pentacampeonato e sua torcida crescia cada vez mais ,porém com uma particularidade: a maioria deles pertenciam à classe alta do Rio de Janeiro, pois na época o futebol era considerado um esporte para ricos. O Botafogo na competição deste ano resolveu abandonar a mesma por protesto, pois a (LMSA) Liga Metropolitana de Sports Athleticos puniu dois atletas do time em razão de uma confusão no empate contra o América. Posteriormente a esta competição, no mesmo ano aconteceu um fato marcante na história do futebol carioca. Depois de derrotar o América por 2 X 0 e conquistar seu 5° título nove jogadores do time titular e um reserva se demitiram do Fluminense e fundaram a seção de futebol do Clube de Regatas do Flamengo. Neste ano nascia o maior rival do clube tricolor. Eis um relato do acontecimento: Em julho, com a demissão de Ernesto Paranhos e Haroldo Cox, abriram-se duas vagas no Ground Committee, ficando resolvido que Oswaldo Gomes e Alair Antunes seriam candidatos. Oswaldo Gomes já era por escolha da diretoria, da qual Alberto Borgerth fazia parte, sub-capitão do 1º quadro, o que lhe tornava natural à candidatura a uma das vagas e, mesmo, para capitão. Entretanto, Oswaldo Gomes preferiu candidatar-se ao Ground Committee porque Alberto Borgerth era o indicado para Capitão. Mas, no dia da reunião, surgiu um candidato da oposição # Joaquim Guimarães. E a votação terminou num empate de 15 votos. O presidente da Assembléia sugeriu, então, o critério de considerar eleito o candidato de mais idade e submeteu o seu ponto de vista aos sócios presentes. Por 17 votos contra 15 e 3 em branco, a Assembléia aprovou a sugestão do Presidente. Oswaldo Gomes estava eleito mas não aceitou por entender que a questão deveria ser resolvida em outra Assembléia. Em 7 de agosto, em carta enviada à Diretoria, Oswaldo Gomes demitiu-se de sub-capitão do 1º quadro. Nas vésperas do jogo contra o Rio Cricket, que se realizaria a 10 de setembro, reuniu-se o Ground Committee com a presença de Félix Frias, Alair Antunes, Afonso de Castro e Alberto Borgerth. A Comissão escalou o seguinte quadro: Baena, Píndaro e Nery, Lawrence, Amarante e Galo; Oswaldo, Orlando, Paranhos, Gustavo e Calvert. Alberto Borgerth porém sugeriu, com apoio da maioria, que os jogadores fossem consultados sobre a escalação do quadro. Afonso de Castro, voto vencido, bateu-se contra a sugestão, ponderando que isso constituiria um mal precedente, pois transferiria para os jogadores as atribuições do Gound Committee. Com a exceção de Oswaldo Gomes e James Calvert, os demais jogadores se pronunciaram pela substituição de Oswaldo por Arnaldo Guimarães e Paranhos por Borgerth, mas o Ground Committee manteve o conjunto escalado contra o voto de Borgerth que estava de acordo com a opinião da maioria dos jogadores. O quadro escolhido pelo Committee venceu o jogo por 5 x 0... A 3 de outubro, entretanto, Alberto Borgerth, Othon Baena, Píndaro de Carvalho Rodrigues, Emmanuel Nery, Ernesto Amarante, Armando de Almeida (Galo), Orlando Mattos, Gustavo de Carvalho e Lawrence Andrews solicitaram demissão do Club. O Fluminense perdeu 9 dos seus 11 jogadores campeões do ano, mas seus princípios foram mantidos#. (História do Fluminense, Paulo Coelho Netto, 1952.) No dia 7 de julho 1912 aconteceria o primeiro Fla X Flu da história e o Fluminense surpreendentemente venceu o jogo por 3x2 causando euforia entre os torcedores tricolores. O motivo desta reação foi porque naturalmente foi uma disputa entre Fluminense (reservas em 1911) e Flamengo (titulares) do mesmo ano, por isso indubitavelmente o time rubro-negro era o grande favorito. De 1910até 1917 o Fluminense não conquistaria nenhum título importante, porém há um marco entre este espaço de tempo: o clube passaria por uma modernização em sua sede que até lugar reservado para a imprensa foi construído. Começa neste momento uma relação estreita da imprensa com o tricolor e o futebol carioca. As coberturas esportivas de jogos já se tornavam um espetáculo à parte. Nos campeonatos de 17, 18 e 19 o tricolor carioca retoma sua hegemonia no Estado, se tornando tri-campeão e em razão deste crescimento do clube com várias vitórias o então presidente Arnaldo Guinle constrói um estádio que na época era o maior e mais moderno da América Latina: o Estádio das Laranjeiras. A partir da década de 20 o Fluminense se torna potência não apenas no futebol também em quase todos esportes olímpicos ganhando anos depois como dito a Taça Olímpica que é dada aos clubes que são vencedores nas modalidades esportivas, sociais, artísticas, culturais e cívicas. O clube era exemplar em todos os quesitos, pois com a construção da nova sede que tinha teatro e neste espaço fazia alguns trabalhos sociais, peças teatrais e bailes que eram freqüentado pela mais alta sociedade, o Fluminense se tornara um exemplo de clube assim ganhando para muitos torcedores sua maior conquista: a Taça Olímpica ou Taça de Honra. Já com o profissionalismo implantado no futebol, o time conquistou seu #primeiro tri-campeonato#, pois foi o primeiro no profissional, isso em 1936, 37 e 38 com uma campanha de dar inveja a qualquer time, perdendo apenas duas partidas nestes três torneios. O Fluminense conquistava a maioria dos títulos estaduais com certa facilidade, pois além de perder poucas partidas, fazia inúmeros gols, coisa que não aconteceu no campeonato de 1946, chamado de Supercampeonato. Neste ano, quatro equipes terminaram empatadas ao final do torneio, o Botafogo, Flamengo, América e Fluminense. Para resolver este impasse os clubes se enfrentaram num quadrangular emocionante que mobilizou tanto a imprensa esportiva quanto a população carioca. Ao final do quadrangular o clube tricolor ganhara mais um título estadual. Na década de seu centenário, o clube além de ter conquistado seu único título mundial foi e é o único campeão invicto do torneio Rio-São Paulo. Neste grande feito estava presente um jogador que se tornou ídolo como atleta e como técnico : Telê Santana. Apesar de um período bastante conturbado não só para a imprensa mas para todo o povo brasileiro a década de 60, marcada pela ditadura militar, não fez mal nenhum ao Fluminense, muito pelo contrário, continuou vencendo e acumulando títulos. Em 60 ganhou mais uma vez venceu o torneio Rio-São Paulo conquistando o bi-campeonato. Em 64, um novo golpe militar é decretado, a imprensa sofre com a falta de liberdade e a válvula de escape é sem dúvida o futebol. No mesmo ano o Fluminense conquistou mais um título carioca com o comando do ex jogador e então técnico Tim. Também no mesmo ano o clube revelou o que seria mais tarde o capitão do tri- campeonato mundial do Brasil, Carlos Alberto Torres, que atuava na lateral direita. Esta conturbada época serviu para a aproximação dos clubes com a imprensa esportiva, pois o futebol era um dos poucos assuntos que não sofria a censura. Assumindo o cargo de técnico,Telê Santana, o ponteiro dos segundos, segundo Nelson Rodrigues, assumiu o time em 1969 formando a equipe mais vencedora de toda a história tricolor. O time intercalava juventude com experiência contando com os jovens Marco Antonio e Wilton e já experientes Lula, Félix, Galhardo e Samarone. Contratado do Corinthians veio o centro avante Flávio que foi um grande goleador do time. Com os mesmos jogadores, com a saída de Telê o clube contrata o rodado técnico Paulo Amaral. Para muitos, o único título do Fluminense no campeonato Brasileiro foi em 1984, porém isto não se confirma. O tricolor foi o primeiro time carioca a conquistar um campeonato brasileiro em 1970 tenho como vice-campeão o Palmeiras. Neste mesmo ano dois jogadores de seu plantel foram campeões na Copa do Mundo, aumentando a alegria da torcida. Estes eram, o goleiro Félix, e o lateral esquerdo Marco Antonio. Um dos títulos mais significativos do Fluminense foi o Estadual de 1971. No comando técnico estava Zagallo, tri-campeão mundial, que com seu carisma e experiência conquistou um torneio tido como quase perdido. Faltando duas rodadas para o término do estadual o Botafogo além de ter vários jogadores considerados geniais e de Seleção Brasileira tinha cinco pontos de vantagem para o segundo colocado, no caso o Fluminense, ou seja, título praticamente na mão. Porém o inesperado aconteceu e, na ultima partida os dois se enfrentaram com a vantagem do Botafogo ser Campeão com o empate, coisa que acontecia até aos 42 minutos do segundo tempo. Com um gol de Lula o Fluminense conquistou um dos títulos mais emocionantes contra seu rival mais antigo. No meado da década de 70 apesar de grandes contratações como Rivellino, Mário Sérgio, P.C. Caju e cia construindo a primeira máquina tricolor o time conquistou apenas dois estaduais. Contudo, este time foi um dos que levaram mais publico aos estádios por dar espetáculos nas partidas. A maioria dos jogadores do Fluminense nesta época possuía tanta habilidade que torcedores rivais iam ao estádio assistir o Fluminense jogar mesmo que seus times não fossem atuar contra o tricolor. Uma curiosidade a ser contada que provavelmente quase ninguém saiba é que o #Rei# Pelé já atuou pelo tricolor. Sim é verdade. Isto aconteceu em 1978 em, uma excursão do tricolor pela Nigéria. Pelé era convidado a dar o ponta pé inicial da partida do Fluminense contra o Racca Royers, porém os jornais e as rádios anunciaram que o #rei# jogaria pelo time, criando uma grande confusão. Afinal, Pelé jogou os primeiros 45 minutos da partida pelo Fluminense para evitar uma possível revolta das pessoas que compraram ingresso para assistir o jogador. Na década de 80, com uma diretoria que privilegiava as #pratas da casa# o Fluminense formou mais uma máquina e, essa além de proporcionar grandes espetáculos também ganhava vários títulos. Conquistou o terceiro tri-campeonato estadual nos anos de 1983, 84 e 85 e o Campeonato Brasileiro de 84 batendo na final o rival Vasco da Gama. Saltando até 1995, o time tricolor conquistou um título com a barriga de um jogador que ficará para sempre na memória dos tricolores. Na final do Estadual de 95, precisamente no dia 25 de junho, o Fluminense disputava com o Flamengo, que na época tinha Romário, considerado pela Fifa o melhor do mundo, o caneco do carioca. O rubro-negro precisava apenas do empate para ganhar o torneio, porém o Fluminense abriu dois gols de vantagem logo na primeira etapa da partida. Na segunda etapa o Flamengo consegue o empate que precisava, porém aos 42 minutos acontece um dos momentos mais emocionantes para a torcida tricolor. O meia-armador Ailton recebe lançamento na ponta direita, corta três vezes o zagueiro rubro-negro chuta na área e, quando a bola viajava na área e provavelmente se encaminharia para fora o atacante Renato Gaúcho bota a barriga na bola e faz o gol que dá ao Fluminense o 28° título estadual. A torcida, o técnico e os jogadores tricolores vão ao delírio em pleno Maracanã lotado. Esse jogo é considerado não só pelos torcedores do clube mas também para muitos membros da imprensa como um dos momentos mágicos do futebol carioca. O título mais recente e inédito do clube das Laranjeiras foi o de Campeão da Copa do Brasil de 2007. Comandado pelo seu ídolo Renato Gaúcho, agora como técnico, o Fluminense ganha a Copa em cima do Figueirense na casa do adversário, com gol de zagueiro Roger logo no início do jogo. 3.2. ÍDOLOS MARCANTES E ALGUMAS MARCAS O Fluminense em toda sua história possuiu inúmeros ídolos, em todas as posições e todos eles conquistaram algum campeonato. A maioria destes foram eternizados na Sala de troféus do clube como forma de agradecimento pelas alegrias proporcionadas. Defendendo o Gol, estão eternizados Marcos Medonça que jogou 127 partidas e sai destas 25 sem tomar sequer nenhum gol, Castilho 696 jogos, jogador que disputou maior número de partidas pelo clube, campeão mundial e o tri-campeão mundial Félix que apesar de sua baixa estatura foi o goleiro que conquistou o maior número de títulos pelo Fluminense. Na zaga pode-se citar: Galhardo; 164 jogos ; Duílio 146 jogos; Edinho 358 jogos; Ricardo Gomes 199 jogos e ambos esses participaram da máquina tricolor do anos 80. Não se pode esquecer de Miguel , um zagueiro bem forte jogador da máquina dos anos 70. Na lateral direita: Carlos Alberto Torres, o Capitã, 169 jogos, eleito pela Fifa o lateral direito do século e também tri-campeão mundial; Jair Marinho 258 jogos reserva de Djalma Santos na Copa de 62; Aldo 210 jogos marcou 15 gols essencial na conquista do Campeonato Brasileiro de 84 e Toninho 247 jogos campeão estadual com a máquina dos anos 70. Na lateral esquerda: Marinho 93 jogos, 39 gols jogador clássico e de grandes lançamentos; Branco 157 jogos, 11 gols, tetracampeão mundial e atualmente dirigente do clube e Carreiro 127 jogos, 66 gols e era um jogador abusado, pois ia com tudo para cima dos adversários. No meio campo englobando volantes, pontas e meias-armadores tem-se: Tim, armador, 226 jogos, 71 gols, mestre na arte do drible e campeão como jogador e técnico;Gérson,também conhecido como canhotinha de ouro era meia, 57 jogos, 4 gols ,apesar de jogar pouco tempo no clube se tornou ídolo dando passes de longa distancia que hoje não vemos mais, teve a felicidade de encerrar a carreira no seu time de coração e isso ajudou a conquistar o coração do torcedor tricolor; Didi, meia, 298 jogos, 91 gols criador da #folha seca#, chute com efeito, bi campeão mundial; Samarone, ponta, 212 jogos ,52 gols, chamado também como #Diabo loiro#; Pintinho,meia 381 jogos, 23 gols, rápido com as bolas nos pés, participou das duas máquinas tricolores; Rivellino, 159 jogos, 53 gols, criador do drible elástico e dono da patada atômica, chute com bastante força, um dos maiores ídolos do Fluminense; Paulo César Caju, meia, 85 jogos, 16 gols, jogador bastante habilidoso e polêmico; Mário Sérgio, meia 44 jogos 3 gols, apesar de pouco tempo no clube conquistou a torcida por causa de sua grande inteligência; Delei, meia 280 jogos 17 gols, saiu da categoria de base para ganhar o tri-estadual dos anos 80 e o Brasileiro; Assis, meia 178 jogos 54, gols campeão brasileiro, adorado até hoje pelos tricolores; Telê Santana, ponta direita 556 jogos, 165 gols, apelidado e ponteiro dos segundos, vencedor tanto como jogador quanto técnico. No ataque não é diferente, além de muitos gols os jogadores marcaram a memórias dos torcedores com jogadas geniais e gols importantes. Os ídolos responsáveis pelos gols eram: Romerito,paraguaio ,211 jogos,59 gols,autor do gol que deu ao Fluminense o título Brasileiro de 1984; Preguinho, 174 jogos, 129 gols, além de futebol praticava mais oito modalidades tinha um exímio preparo físico; Welfare, também conhecido como tanque inglês, 166 jogos 163 gols, e artilheiro em quase todas as competições que atuou; Hércules,176 jogos, 164 gols, atacante com porte físico bem avantajado; Valdo, 403 jogos, 314 gols, maior artilheiro da história do clube, adorado pela torcida pois era de costume marcar pelo menos um gol por partida; Manfrini; 157 jogos, 61 gols e para seu companheiro Rivellino foi o jogador mais inteligente com quem jogou; Doval, argentino, 143 jogos, 68 gols, atacante da máquina dos anos setenta, marcava gols como trocava de roupa, segundo o mesmo; Cláudio Adão 67 jogos, 55 gols, campeão carioca em 1980 num time que era desacreditado até pela própria torcida; Washington, 301 jogos, 118 gols, exímio cabeçeador e juntamente com Assis formava o Casal 20; Ézio, apelidado por Januário de Oliveira da TV Bandeirantes de #O Super Herói Tricolor#, 236 jogos, 118 gols e fazia parte da equipe campeã Estadual de 95e por fim Renato Gaúcho, 71 jogos, 27 gols e destes o mais importante na final contra o Flamengo e, de barriga. Campeão tanto como jogador como técnico. Alguns personagens também fazem parte do roll de ídolos tricolor e são eles: Carlos Alberto Parreira, técnico campeão brasileiro comandante da máquina tricolor; Ximbica, roupeiro querido por todos os jogadores e Zagallo, também técnico que conquistou o título de 71 que estava praticamente ganho pelo Botafogo. 3.3. INFERNO ASTRAL E A VOLTA POR CIMA A década de 90 para o Fluminense apesar da grande conquista do Estadual de 95 foi a pior época de toda história do clube. A falta de recursos financeiros, as péssimas administrações dos dirigentes de futebol e contratações infelizes fizeram com que o time tricolor fosse rebaixado três anos seguidos. Em 96 aconteceu a primeira queda que perdendo a dignidade e a honra o os dirigentes aproveitando manobras ilegais de outros dirigentes conseguiu a #virada de mesa# permanecendo na 1° divisão em 1997. Para espanto dos torcedores e membros da imprensa o Fluminense caiu novamente para a segunda divisão e posteriormen Felipe Reis Costa de França
Fonte: fcdf@eagv.com.brCRÔNICAS ANTERIORES: O FLUMINENSE NA FINAL DA TAÇA LIBERTADORES / 2008 – A SAGA DE LUIZA - ( ESBOÇO DE UM CURTA METRAGEM, DE 05 MINUTOS, A SER APRESENTADO NA FACULDADE DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA, DO CEUB ) - Célia Christina Xavier Corrêa da Silva - 03/12/2008 Para que Fluminense vamos torcer? - Roberto Ferreira Coelho Filho - 17/05/2008 Um brado na multidão - Texto de Luiza Aguiar (filha do nosso amigo Gustavo Marins) - Luiza Aguiar - 21/04/2008 As Viradas de Mesa do Futebol Brasileiro. - Beto Sales - 26/03/2008 Acredito em Energia - Rogério Salarini Jabbour - 24/04/2005 "NINGUÉM É CAMPEÃO DA FORMA COMO NÓS SOMOS" - Mauro Jácome - 30/06/2008 “Eu e você Flusão de 30 ...” - Marcelo Mendonça - 24/04/2005 Carimbo Tricolor - Marcos Gurgel - 26/01/2005 Fla-Flu 95 - Show de Lágrimas - Diogo Caliano - 27/12/2001 O PREDESTINADO - Paulo Gomes - Salvador/BA - 27/12/2001 E as cores alegraram o futebol... - Mauro Q. D. Jácome - 1997 - 27/12/2001 O Grande Enigma do Universo - Daniel de Campos Sobral - 27/12/2001 A CULPA É DE QUEM? - Carlos Muniz - 27/12/2001 E AGORA, TRICOLOR? - Carlos Muniz - 27/12/2001 ASSISTROFOBIA - Simplício Luiz Leandro - 27/12/2001 Campeonato carioca de 1980 - Danilo Soares Félix (danilo@rjo.serpro.gov.br) - 27/12/2001 Não me lembro... - Daniel Hora do Paço - 27/12/2001 Quem enxugará nossas lágrimas - Carlos Muniz - 27/12/2001 Os dois FLUS - Simplício - Brasília/DF - 27/12/2001 Flu... como tu és importante - Marcos Braga - Rio de Janeiro/RJ - 27/12/2001 O Martírio - Nélson Rodrigues - 27/12/2001 O Fla-Flu da Lagoa - Mário Filho - 27/12/2001 O Primeiro Fla-Flu - Mário Filho - 27/12/2001 Personagem da Semana - Nélson Rodrigues - 27/12/2001 O corcunda de Notre-Dame - Nélson Rodrigues - 27/12/2001 A Grande Noite do Ceguinho - Nélson Rodrigues - 27/12/2001 Grã-Fina das Narinas de Cadáver - Nélson Rodrigues - 27/12/2001 Ah, O Primeiro Clássico - Nélson Rodrigues - 27/12/2001 Os Irmãos Karamazov - Nélson Rodrigues - 27/12/2001
|