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A batalha

A batalha.

Falavam que o time deles era o melhor do mundo. E repetiram por toda a semana na escola e nas ruas do bairro. Diziam que eram imbatíveis. Que tinham um rei. Um Messias. Haviam conquistado o mundo. Inacreditável: O mundo. Eu, então um guri, me calei. Apreensivo, colado ao velho rádio, ouvia a eloquente narração da batalha épica travada entre 22 homens, em um enorme campo de batalha coberto de um irretocável verde. Não sei se por ingenuidade, ou fé de torcedor, acreditava na tropa tricolor. Sabia que era possível. O inimigo Podia ser o maior do mundo, mas no Rio de Janeiro, em nossos domínios, ninguém seria maior que o Flu. Assim como os 300 de Esparta lutamos. Linha de defesa valente e talentosa; o meio combativo e cerebral. Estrategistas miraculosos. Simbiose de raça, talento e coragem; O ataque era insinuante, astuto e traiçoeiro. Em dribles e tiros. De canhão e de efeito. Não bastasse isso, tínhamos o Guerreiro Paraguaio. Viera do Cosmos. Time de Pelé. Um time de galácticos mitológicos. Além da garra, era intimo da bola e conhecedor dos atalhos do campo de batalha. E não ficava nisso. Havia também os Guerreiros de Ébano. Eram dois. Eram um. Eram arco e flecha. Funda e pedra. Personalização da lealdade. Cumplices em vários ataques fatais a zagas incautas. Não. Não seriamos batidos. Se eram os maiores do mundo, o Rio era nosso e assim deveria continuar. Não nos entregaríamos. A derrota não era uma opção. Poderíamos perecer, mas não antes de levantar o troféu. Leomir passou a esfera a Vica; Este a reteve por eternos segundos. A batalha se aproximava do fim; Devolve a Leomir, ainda longe das fileiras inimigas; Este pede apoio a Renê, que tem Aldo a sua frente. O tempo também era nosso inimigo. Isso me perturbava ainda mais. O campo ficava ainda maior; Aldo pede apoio da retaguarda; Duílio conduz a esfera. Bate um inimigo de nome Tita. De quem diziam ser um valoroso cheio de técnica, mas sobre tudo um arquiteto, um estrategista. O que vi, foi Duílio batê-lo como se fosse um menino; A esfera volta a Renê como pretexto para que chegasse a Aldo. Invisível. Guerreiro de arte oriental infiltrado nas fileiras inimigas. Como um raio rasga a lateral do campo e cruza. Daí em diante é silencio. Durante todo o arco desenhado no ar. A atmosfera pesada ganha traços de arte. O filme épico tem seu clímax. Era para mim, ainda menino, a primeira experiência com o maravilhoso. Os Deuses do futebol me permitiram ver um dos Guerreiros de Ébano, talvez um semideus, saltar com asas invisíveis, parar no ar, hipnotizar o goleiro, com poderes de uma medusa, deixá-lo petrificado. Tornando-o um espectador privilegiado do ataque final. Naquele momento Assis era um aríete e com golpe potente e cirúrgico decretou a vitória do time de Guerreiros. Festa tricolor. Barulho de alegria e pó-de-arroz. O Rio era nosso e continuaria sendo. Haveríamos ainda de tomar também o Pais. Mas, isso ... é uma outra história.

Por Alexandre Pardal

Alexandre Pardal
Fonte: pardalrjo@gmail.com

 
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