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Flu Campeão Carioca 1971

Campeão Carioca 1971

Revista Placar

Por Teixeira Heizer e Fausto Netto

É O FLUMINENSE

O Botafogo nadou, nadou e morreu na praia.
Sem Choro nem vela – o Fluminense é o campeão, de fato e de direito, título ganho dentro do campo, no peito, na raça e na técnica.
“Olê, olá / o Fluminense ta botando pra quebrá” –era a torcida do Fluminense cantando na hora certa, a três minutos do fim, com o placar luminoso do Maracanã acusando: Fluminense 1 x 0 Botafogo.

Foi duro, parecia impossível, mas o fluminense chegou lá. Duro mesmo é festejar um título ao fim do primeiro turno, continuar a festa no segundo – e perdê-lo no terceiro.

O Fluminense chegou lá porque foi mais time, embora tivesse menos craques. Foi mais consciente , embora tivesse menos celebridades. Estava mais bem preparado para guerra. O Fluminense chegou lá porque não festejou a vitória antes da batalha decisiva.

Foi duro, agora que tudo passou, muita gente nem se lembra o quanto. Um primeiro tempo mais que estudado. Um segundo tempo catimbado, parecia que o relógio corria depressa demais.

O Fluminense precisando de gol, o Botafogo naquela de desespero, todo plantando no próprio campo, sem aquela de campeão por anteciapação, sentindo o drama na hora da onça beber água.
“Um, dois, três, o Botafogo é freguês”, lá fora o título no papo, a torcida tricolor festejava. Mas no vestiário, Xisto Toniato esbravejava: - É uma quadrilha. Ganha o mais rápido no gatilho.
Nem tanto. Nem tanto. Até porque se existe mesmo uma quadrilha ela é chefiada por um botafoguense: Otávio Pinto Guimaraes, presidente da confederação carioca.
- Numa decisão, experiência é muito importante.

O Botafogo tem cinco jogadores na seleção.
A afirmativa de Carlos Alberto na semana que antecedeu o jogo não foi confirmada pela bola. O Botafogo se perdeu na hora do gol tricolor, quis estranhar o juiz José Marçal Filho, que teve uma atuação correta e imparcial, que apitou em cima -tanto que correu para o meio de campo no justo instante em que a bola tocada por Lula encheu as redes do Ubirajara.

Um gol aos 42 minutos do segundo tempo. Um gol do time que mais fez por merecer, que procurava até aquele instante seu encontro com o destino. Um gol de Campeão. Um gol que define o campeão.
- É duro. É muito duro. Muitos diziam que não podia acontecer, mas aconteceu (Paraguaio).

É isso mesmo. O campeão é o timo capaz de tirar uma lição de cada derrota, de ser humilde na vitória, de ventar fogo na hora da decisão – mas mantendo a cabeça fria, o domínio dos nervos. Isso tudo o Fluminense teve de sobra. Isso tudo faltou ao Botafogo, o campeão por antecipação. O campeão inviável a partir do instante que se julgou absoluto. Foi uma dura lição.

O pó-de-arroz formando nuvem na arquibancada, mulheres, homens e crianças agitando milhares de bandeiras tricolores, o bares do Maracanã sem uma unica bebida para vender: dia de festa, dia de campeão. Dia de alegria para muitos. Dia de tristeza para alguns. Também de cabeça quente:
- Eu disse o diabo para o juiz. (Carlos Roberto, expulso de campo na hora do Gol).
Houve quem dissesse o diabo antes da hora:
- O Botafogo já é campeão. (Paulo Cesar, no primeiro turno).
- Vamos botar um gol na frente e eu vou rolar a bola no pescoço (Carlos Alberto, no segundo turno).

E AGORA ?

Ficha Técnica

27/07/1971 Maracanã – Rio

Juiz – José Marçal Filho

Gol – Lula 42 do 2t

Botafogo: Ubirajara, Calos Alberto Torres (Mura), Brito, Osmar e Paulo Henrique; Nei e Carlos Roberto; Zequinha (Paraguaio), Nilson, Careca e Paulo Cesar Caju. T: Paraguaio

FLUMINENSE: Félix, Oliveria, Galhardo, Assis e Marco Antonio; Silveira e Didi (Flávio); Wilton (Cafuringa), Claudio, Ivair e Lula. T: Zagallo

Pesquisa – Bruno Scudiere
Comentários e Sugestões – bscudiere@hotmail.com

Bruno Scudiere
Fonte: bruno@scudpromo.com.br

 
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