Gestão Roberto Horcades - A Pior Da História (09/05/2007)
Caros Tricolores,
O Fluminense publicou em 30/04/2007, na edição impressa do jornal Lance!, o seu balanço relativo ao ano de 2006.
Alguns números (resumidos) :
Receitas = R$ 50.649.753,00 em 2006 (foram R$ 39.914.478,00 em 2005)
Despesas = R$ 65.648.001,00 em 2006 (foram R$ 44.767.553,00 em 2005)
Déficit = R$ 14.998.248,00 em 2006 (foram R$ 4.853.074 em 2005)
Em 2005, houve um aumento de 26,8% nas receitas e um aumento de 46,6% nas despesas, o que proporcionou um aumento de 209,0% no déficit anual em relação ao exercício anterior. A administração Horcades já acumula oficialmente quase 20 milhões de déficit em seus dois primeiros anos (ainda falta fechar 2007, cujo resultado só será divulgado em 2008). Em qualquer sociedade anônima isso seria caso de demissão sumária para todos os gestores.
Só para termos uma comparação, em 2006 o Flu faturou R$ 50 milhões, o Fla R$ 72 milhões e o Vasco R$ 35 milhões.
Esses R$ 50 milhões podem ser assim divididos percentualmente:
35,4% Televisão
33,4% Venda de jogador (R$16 milhões da venda do Marcelo)
10,7% Associados (mensalidade)
10,2% Publicidade e patrocínio
4,2% Venda de ingressos
2,3% Esportes amadores
1,7% Outros
0,9% Alugueis
0,5% Licenciamentos e Franquias
0,3% Premiações e Loterias
As despesas registradas no balanço estão a seguir :
I - Futebol Profissional
a) Gastos com pessoal - R$ 16.351.690,00
b) Serviços profissionais - R$ 807.531,00
c) Gastos com jogos e bonificações - R$ 1.584.569,00
d) Direito de imagem e de arena - R$ 2.541.303,00
e) Amortização atletas profissionais contratados - R$ 651.270,00
f) Gastos gerais - R$ 5.637.264,00
II - Futebol Amador
a) Gastos com pessoal - R$ 1.783.694,00
b) Serviços profissionais - R$ 64.456,00
c) Gastos gerais - R$ 1.497.159,00
Despesas do futebol = I) + II) = R$ 30.918.937,00.
Despesas do Clube Social e Esportes Amadores:
a) Despesas com pessoal - R$ 3.435.846,00
b) Despesas gerais e administrativas - R$ 2.022.749,00
c) Serviços profissionais - R$ 747.872,00
d) Despesas Tributárias - R$ 6.105.513,00
e) Financeira líquida - R$ 3.484.991,00
f) Depreciação e amortização - R$ 10.384.793,00
g) Provisões (contigências) - R$ 6.966.116,00
h) Outras despesas operacionais - R$ 200.102,00
Chama atenção o fato de 1/3 da receita do clube em 2006 ser oriunda da venda de um único jogador, negociação que pode ser considerada um fato extraordinário, podendo ocorrer ou não a cada ano. Só por milagre um clube do Brasil conseguirá vender um jogador do nível do Marcelo todo ano. Se os números já são ruins, imaginem se este garoto não tivesse aparecido com a nossa camisa. Entretanto, os mesmos diretores e profissionais que produziram o Marcelo e outros atletas no CTVL foram afastados para dar lugar no momento a apadrinhados políticos e ?cupinchas?.
Desde que o Sr. Horcades assumiu, apenas quatro jogadores foram vendidos : Fabiano Eller, Diego Souza, Antônio Carlos e Marcelo. O clube só consegue negociar os seus melhores atletas, não tem capacidade para fazer dinheiro em cima dos seus jogadores medianos, um expediente amplamente usado pelo Atlético-PR, Cruzeiro e São Paulo. Estes três exploram mercados como Leste Europeu, ex-Repúblicas Soviéticas, Japão e outros países asiáticos para fazer receita com a maioria dos jogadores revelados, mesmo que não sejam destaques.
Os míseros R$ 252.362,00 (0,5% da receita total) faturados pelo marketing em licenciamentos de 2006 representam algo em torno de 21 mil reais por mês. Número ridículo considerando a grandeza do Fluminense. Se descontarmos os custos administrativos e de pessoal, talvez o Marketing do Fluminense seja deficitário.
Quanto aos R$ 65 milhões de despesas, 30 milhões (47% do total) foram oriundas do futebol profissional, e 33 milhões (50% do total) do clube social, esportes amadores, correção das dívidas e pagamento de encargos financeiros.
Ou seja, o Futebol faturou 42 milhões (considerando televisão, venda de jogadores, publicidade e patrocínio, venda de ingressos e premiações e loterias) e custou 30 milhões.
Já o Social e os Esportes Olímpicos faturaram cerca de 6,4 milhões (considerando mensalidades, escolinhas, aluguéis e outros) e custaram uma quantia equivalente se considerarmos as despesas com pessoal, gerais e administrativas, serviços profissionais e outras.
Resumo da ópera: o clube social/esportes olímpicos hoje não dá retorno algum porque tudo que é arrecadado é gasto na mesma proporção, não sobra nada para investir em melhorias para o associado ou em melhores equipes. O restante das despesas, representadas por cerca de R$ 26,5 milhões, mostram o descaso desta administração com o crescimento da dívida e com a questão financeira.
Ainda sobre finanças, durante toda essa gestão o clube não recolheu imposto algum. E isso significa que a dívida fiscal cresce galopante a cada mês porque o clube não apenas deixa de pagar o passivo (que é corrigido com juros e mora) como também não recolhe os encargos correntes. É um expediente inaceitável que pode deixar o Fluminense de fora da Timemania, uma oportunidade única que o Governo Federal está em fase final de regulamentação.
Para participar da loteria, o Fluminense terá que pagar corretamente os encargos correntes e parcelar o seu passivo. Então, se o custo destas prestações ficar alto demais para o orçamento atual do clube, adeus possibilidade de realinhamento fiscal. Enquanto isso, outros clubes aproveitarão a oportunidade, o que certamente vai deixar o Fluminense numa situação ainda mais difícil, sob risco de extinção.
Na parte esportiva, mesmo com a Unimed ?despejando grana? em busca de melhorar a visibilidade de sua marca, a gestão Horcades conseguiu algumas proezas como as duas piores campanhas da história do clube em campeonatos estaduais : 7º. colocado em 2006 e 8º. colocado em 2007.
Além disso, o clube quase foi rebaixado no campeonato brasileiro de 2006 terminando a competição em 15º. lugar. Em 2005, perdeu a vaga na Libertadores após abrir 10 pontos de vantagem para o Palmeiras. Deve-se ainda registrar que as decisões do departamento de futebol foram quase sempre estapafúrdias durante a gestão Horcades, acumulando 6 trocas de treinadores em 2006 (outro recorde negativo) e 3 até agora em 2007. A cada troca de comando o passivo do clube aumenta, uma vez que toda comissão técnica é dispensada mas os direitos trabalhistas não são pagos.
O Presidente atual está em forte campanha pela reeleição e agora acena com distribuição de cargos e com obras de maquiagem nas diversas áreas do clube. O associado mais atento vai lembrar que a parte social esteve abandonada durante toda a gestão Horcades, mas nas vésperas da campanha eleitoral as reformas de fachada começam a aparecer, tudo dentro do mesmo script da politicagem nefasta que infesta o país. Aliás, de onde saiu o dinheiro ? Será que foi da venda do Marcelo ?
Como se não bastasse toda incompetência apresentada pelo Sr. Horcades e sua tropa de choque, as suas declarações são quase sempre patéticas e envergonham a torcida tricolor.
Seguem abaixo algumas ?pérolas? :
Janeiro de 2005 - "Essa camisa do Flu parece a camisa da Mangueira. Vou falar com a Adidas para mudar o modelo, para não desagradar os tricolores torcedores de outras escolas."
Janeiro de 2005 - "Vamos ganhar títulos em curto, médio e longo prazo."
Janeiro de 2006 - "No mercado, Ivo Wortmann é um ´plus´, no nível do Abel, dessa turma de grandes treinadores"
Março de 2006 - "Nós ainda temos chances no Carioca. Tudo está dentro do planejamento. O Fluminense está bem e a torcida pode ficar tranqüila que esse time ainda vai dar muitas alegrias"
Agosto de 2006 (sobre o CT) - "O Fluminense passará a noite de 31-12-2006 nas Laranjeiras e acordará no CT em Xerém na manhã de 01-01-2007."
Agosto de 2006 "Sou presidente de um treinador só." Comentário : a declaração foi dada antes do jogo contra o Cruzeiro no Mineirão, na estréia do Josué Teixeira.
Setembro de 2006 (sobre a classificação na Copa Sul-Americana) - "Pela segunda vez na minha gestão, conseguimos levar o Fluminense à disputa da fase internacional. Com isso, estamos cumprindo uma das metas da minha administração, que é internacionalizar a marca
Fluminense. Parabenizo a organização do departamento de futebol, que foi fundamental na realização desse feito."
Setembro de 2006 (sobre o atraso de salários) - "Estamos até conversando com a empresa patrocinadora para, caso haja novo atraso nos salários, o direito de imagem seja atrasado também."
Outubro de 2006 (na reunião do Conselho deliberativo, que trataria dos erros cometidos na condução do futebol) - "Não vim aqui para me aborrecer."
Novembro de 2006 - "O Presidente chega em uma roda de sócios do clube e anuncia:"Já descobri o problema do Fluminense, é olho grande, estou indo amanhã em um Centro de Umbanda resolver o problema."
Procurado pela imprensa no dia seguinte para tratar da venda de Marcelo, o Vice Presidente de Futebol Tote Menezes avisa que o presidente não pode ser interrompido pois ?está em retiro religioso naquele dia"
Novembro de 2006 - "Não entendo o motivo de tanto stress. Os outros times do Rio já entraram na Zona do Rebaixamento esse ano, e o Fluminense não entrou." O presidente se esqueceu que faltavam apenas 4 rodadas (quando deu essa declaração) para o final do campeonato, e os clubes citados estavam entre os dez primeiros.
Novembro de 2006 - "Irei às Laranjeiras amanhã olhar na cara da oposição, que torceu contra." Declaração dada após a confirmação da permanência do clube na Série A.
Novembro de 2006 - "Pô, esse cara vem aqui só pra ler jornal?." Declaração dada durante o depoimento de um conselheiro na reunião do Conselho Deliberativo, onde o referido conselheiro fazia várias críticas à sua ´gestão´, embasado em artigos da imprensa.
Dezembro de 2006 - "As obras em Xerém estão adiantadas e estamos montando um planejamento para 2007 investir mais no nosso CT. Xerém é irreversível, pois conseguimos um terreno de 80 mil m2".
Dezembro de 2006 - "O clube está fervilhando uma organização que antes não existia. Agora que já temos a liberação para fazer as obras, vamos apresentar tudo de maneira muito organizada na reunião de quarta-feira que vem."
Dezembro de 2006 - "Quero dar as boas-vindas ao Rafael Moura, mais um cabeção no Fluminense. A cabeça dele me lembra a do Delei. É tão grande que tive que afrouxar o boné para caber."
Prezado Associado :
Nenhum Presidente teve um patrocinador tão forte à disposição (a Unimed estava presente em algumas gestões anteriores, mas sem tamanha verba para investimento), nenhum Presidente conseguiu tanta progressão da dívida, nenhum Presidente se mostrou tão omisso junto ao comando do futebol e nunca a questão financeira foi tratada de forma tão temerária.
É este Fluminense, recheado de incompetência e conduzido como uma brincadeira de criança, que você quer? Pense nisso antes de votar em novembro de 2007. Quem admite reeleger Roberto Horcades está certamente na contra-mão do Fluminense que a torcida deseja.
Saudações Tricolores
Danilo Soares Félix (Sócio-Proprietário do Fluminense F.C.)
Agradecimentos : Carlos Santoro, engenheiro e pesquisador, que colaborou nas análises sobre os balanços de 2005 e 2006.
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