Os Reflexos Diretos Da Falta De Comando (05/04/2007)
Caros Tricolores,
Mais uma semana e mais vexames patéticos. Desta vez uma ?quase eliminação? dentro de casa para o modesto time do América-RN. Felizmente João de Deus estava atento e deu uma ajuda. O acaso se encarregou de manter o Fluminense vivo na competição-chave deste ano que é a Copa do Brasil. Além disso, a ridícula eliminação do Vasco deixou para eles o ?mico do ano? até aqui, tirou os holofotes do vexame tricolor e nos poupou das piadinhas na mídia. Entretanto, torcida de time grande que se preza não pode se conformar apenas com a desgraça de um rival.
O time em campo é a cara do Presidente e do seu Conselho Diretor : um bando de incompetentes sem qualquer organização, formado por gente sem diretriz, sem comando, sem ?culhão?, sem alma e principalmente sem atitude. Pessoas que não tem sequer a dimensão dos cargos que ocupam e que conduzem o Fluminense a cada dia para o abismo, como um clube de bairro.
Como pode um time deste nível apresentar desempenho tão pífio ? Houve investimentos massivos do patrocinador, os salários estão em dia, a pré-temporada foi na Granja Comary dispondo da melhor estrutura possível, o preparador-físico é um dos melhores do país...meu Deus, falta o quê ? Eu mesmo respondo : falta comando e cobrança de cima pra baixo ! Numa guerra, mesmo um exército formado por excelentes soldados certamente será dizimado se não existir comando, disciplina e hierarquia. É necessário um comandante que faça o exército se matar pela causa, e é exatamente isso que falta ao Fluminense.
Essa diretoria patética tentou encobrir a sua falta de culhão com a contratação do Branco. A idéia era preencher esta lacuna de liderança colocando-o como um escudo perante a mídia e a torcida, alguém com moral para cobrar da comissão técnica e dos jogadores. Entretanto, como não existe comando, o desempenho do Branco até agora também é ridículo : apesar de toda sua história como jogador, ele não consegue se impor e fazer o time demonstrar compromisso em campo. Além disso, apesar das ameaças e do discurso de correção de rumo, ainda está omisso em relação às atitudes. Ninguém entende, por exemplo, porque o Fluminense quase nunca treina em período integral, mesmo quando não há jogo no meio da semana.
Até agora a única atitude efetiva do ex-ídolo foi participar decisivamente do loteamento de Xerém entre cupinchas e apadrinhados, numa devastação de pessoas úteis ao Fluminense que começou com a escolha do atual Vice-Presidente de Finanças, Sr. Carlos Henrique Ferreira, para ?Prefeito? do CTVL. Esta acumulação de cargos absurda foi aprovada pelo Presidente Horcades e provocou a renúncia de toda diretoria anterior do CTVL. Isso colocou em risco a estrutura de trabalho arduamente montada durante 7 anos, uma das poucas coisas que funcionam no Fluminense.
O excelente Coordenador Geral do CTVL, Nei Rama, foi demitido nesta semana por pressão sobre o Horcades de um sujeito chamado Roberto Guimarães. Este senhor, mais um dos apadrinhados do Presidente e completamente ?cego? em divisões de base, é hoje Vice-Presidente Social e recentemente ocupou o cargo de Coordenador Administrativo em Xerém. Nesta época desenvolveu um ódio quase doentio contra o Nei Rama.
O Branco conseguiu colocar como gerente de Xerém um tal de Bruno, um jovem de 27 anos, filho do presidente de Federação de futebol de Rondônia, currículo ZERO em trabalhos relacionados às divisões de base e em cargos de comando. No Flu atual não interessa a formação, a experiência e o currículo, basta ser aliado e amigo.
Por último, ocorreu a entrada do veterano Sr. Orlando como diretor. Este eu conheço pessoalmente e tenho boas relações, trata-se de um senhor aposentado que é facilmente encontrado em Laranjeiras. É inteligente e tem boa visão crítica, mas por conta da idade tenho minhas dúvidas se o Sr. Orlando terá a vitalidade necessária para acompanhar de perto as partidas das diversas categorias e supervisionar o trabalho dos profissionais envolvidos.
Além disso, me preocupa muito as influências sobre o Sr. Orlando. Elas certamente virão de pessoas que estão sempre ao seu redor, como os Srs. Benedito Sérgio e Argeu Afonso. Estes dois são ?figurinhas carimbadas? dentro das Laranjeiras e nunca tiveram pudores em propagar o discurso baseado em xenofobia. Nunca aceitaram, por exemplo, a idéia do CTVL ser comandado por alguém vindo do Sul, como o Nei Rama, mesmo tendo currículo e experiência para tal. Também nunca toparam a idéia do time de Juniores ser treinado por um professor formado na Gávea. O lema de ambos sempre foi o seguinte : ?o que sai de dentro do Fluminense é sempre melhor que o que vem de fora?.
Além disso, já assisti estes mesmos senhores discursarem em diversas rodas contra iniciativas absolutamente essenciais nas divisões de base hoje em dia, tais como a importância da captação de atletas pelo Brasil, o trabalho de observação de talentos (olheiros) e os convênios com clubes menores. São do tempo em que apenas a ?peneira semanal? bastava para recrutar os bons jogadores. Não entendem o básico, não entendem que hoje é necessário encontrar o jogador antes de empresários e dos demais clubes grandes. Não é suficiente ficar sentado esperando que estes atletas venham tentar a sorte no Fluminense espontaneamente. Se vierem ótimo, mas é necessário ampliar a abrangência do processo de captação de atletas com outros mecanismos, sob pena de ?só pegar a xepa do mercado?.
O próximo passo no caminho do retrocesso será a demissão de todos os treinadores com formação acadêmica para a contratação de ex-boleiros. Este processo já começou com a ?fritura? do excelente Prof. Anthony Santoro, contratado no ano passado ao Flamengo onde ganhou tudo que disputou na categoria Juvenil. Os resultados do trabalho do Anthony na categoria Junior do Flu começaram a aparecer com a melhor participação do clube na Taça SP de Juniores nos últimos 10 anos, terminando em 5º. lugar dentre 90 clubes.
Para trabalhar na formação de jovens atletas é necessário ter formação acadêmica para tal, noções de desenvolvimento e preparação física, fisiologia, psicologia e até didática. Se o sujeito tiver tudo isso e ainda a vivência de ser um ex-jogador é ótimo, mas primeiramente tem que estar o conhecimento. Isso é praxe nos clubes que dão certo, como São Paulo, Atlético-PR, Cruzeiro e outros, e tinha sido implantado no Fluminense pelo comando técnico anterior do CTVL.
Anthony foi demitido em março após uma vexatória derrota por 7x2 para o Vasco na Taça GB, dentro de Xerém. Esse vexame ocorreu dias após do anúncio da troca de comando, o que provocou grande insegurança entre todos os profissionais e jogadores envolvidos. Além disso, neste mesmo jogo, o Branco interferiu diretamente na escalação ordenando que 4 jogadores já integrados aos profissionais fossem aproveitados nos juniores (Osmar, Thiaguinho, Fernando Souza e Diego Marfori). Nosso ex-lateral esquerdo nunca esteve no CTVL, mas teve ousadia para tomar uma decisão de forma arbitrária e unilateral, sem consultar o treinador da categoria ou os outros gestores do CTVL envolvidos. O resultado foi um time mexido, sem treinar junto e insatisfações de todos os lados culminando com o desastre e a vergonha dentro de campo, sem nenhum dos novos diretores presentes.
Hoje o time de juniores agoniza e depende de um milagre para se classificar na Taça Rio. Os jogadores ficaram mais de 1 mês sem comando técnico, dirigidos pelo olheiro Edvaldo. Agora foi contratado o ex-jogador Edgar, que apesar de todos os bons resultados já obtidos no próprio Flu quando era técnico do sub-15, terá agora que conciliar suas funções entre técnico sub-20 do Fluminense e também da seleção brasileira sub-17. Será que isso será possível ?
Nos últimos 7 anos o Fluminense teve excelente retorno técnico e financeiro com a formação de muitos jogadores de excelente nível, tais como Marcelo, Carlos Alberto, Rodolfo, Antônio Carlos, Arouca e Diego Souza. Se considerarmos jogadores de nível inferior mas que chegaram a jogar um bom tempo entre os titulares do profissional a lista aumenta bastante com Flávio, César, Rodrigo Tiuí, Jancarlos, Lenny e outros. Além disso, o clube venceu muitas competições e teve inúmeras convocações, voltando a ser respeitado pela mídia e pelos profissionais do meio quando o assunto é divisões de base.
Só o tempo dirá se vamos retroceder na formação de atletas, mas eu infelizmente acredito que sim. O Fluminense é autofágico : como se não bastassem todos os problemas, ainda desmancha internamente o que tem de melhor.
Voltando ao futebol profissional, pelo que vem jogando o Flu é atualmente candidatíssimo ao rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Até quando vamos aturar essa falta de compromisso com a camisa do Fluminense ? Até quando vamos aturar Horcades & Cia brincando de administrar um clube do tamanho do Fluminense ?
E ainda : até quando vamos aturar o Fluminense como ?capacho? do Eurico na FERJ ? Até quando vamos aturar esta diretoria distribuindo cargos para aliados sem qualquer preocupação com currículo, gestão e competência ? E o associado, será que vai se deixar convencer com as obras de maquiagem no clube, que já estão a todo vapor visando apenas as eleições de novembro ? Queremos um Fluminense realmente grande ou um Fluminense ?clube de bairro? ?
Torcida, Oposição e Patrocinador, mobilizai-vos enquanto é tempo. O projeto da Unimed para o futebol é bom, ainda tem futuro porque há qualidade no elenco e dinheiro de sobra para investir. Mas sem comando nada funciona ! É preciso correção de rumo urgente, mesmo que cabeças tenham que rolar, tanto dentro quanto fora de campo.
Se a diretoria não possui a sensibilidade para promover os ajustes de rumo, isso tem que ser feito através da pressão sobre os responsáveis diretos. Contem comigo para qualquer iniciativa contra os canalhas que atualmente estão destruindo a minha paixão.
FORA HORCADES !
FORA TOTE MENEZES !
CHEGA DESSA POLÍTICA DE APADRINHAMENTOS !
CHEGA DE VERGONHA !
Saudações Tricolores !
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