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O Flu Perde Pra Si Próprio (15/02/2007)

Caros Tricolores,

Após mais um início de ano decepcionante, é natural que sejam executadas algumas mudanças.

Por exemplo, mesmo com a desculpa de tantas contratações e da falta de entrosamento, é inadmissível que uma comissão técnica não consiga apresentar um padrão de jogo minimamente satisfatório após um período de 20 dias de trabalho na Granja Comary, dispondo da melhor estrutura possível e com quase todos os jogadores à disposição.

Pra mim o raciocínio é lógico : o Fluminense tem material humano (jogadores), está com os salários em dia (o atraso atual está restrito apenas aos funcionários), teve ainda a melhor estrutura possível para realização do trabalho e não houve jogadores lesionados. Então como explicar o padrão de jogo pífio e o fracasso retumbante diante de adversários fraquíssimos como Nova Iguaçu, Volta Redonda, Friburguense e América ?

Eu sou particularmente contra a troca constante de treinador, mas neste caso reconheço que ela é mais do que justificada. A comissão técnica do PC Gusmão teve tudo à disposição mas foi incompetente ao extremo, deixando o Flu de fora das finais da Taça GB e consequentemente provocando um grande prejuízo institucional e financeiro. Agora espero que a direção do futebol seja cuidadosa na hora de escolher o novo treinador, de preferência pensando num projeto de longo prazo e evitando fazer mais uma vez laboratório no comando do time.

Entretanto, apesar do fracasso de toda a comissão técnica neste início de ano, estive pesquisando informações sobre os rivais e pude constatar que talvez o principal problema do Fluminense seja uma cultura organizacional frouxa, de pouca cobrança e que não transmite seriedade aos seus jogadores. Senão vejamos um exemplo : quem o Fluminense tem para dar a ?cara a tapa? na imprensa ? O Botafogo tem o Montenegro, o Flamengo tem o Kleber Leite e o Vasco tem o Eurico. E o Fluminense ? Quem assume a responsabilidade ? Quem pressiona as arbitragens ? Quem faz a cobrança em cima da comissão técnica e dos jogadores ? Quem conduz o futebol com ?mão-de-ferro? ? Essa pessoa simplesmente não existe na diretoria atual do Fluminense ! O Presidente é omisso e o vice de futebol Tote Menezes mais ainda ! Vejo o Branco como apenas uma tentativa de preencher esta lacuna através de um profissional que tem muita história no clube, mas que na verdade ele servirá mesmo como ?escudo? para os incompetentes que habitam o atual Conselho Diretor.

Querem outro exemplo desta cultura organizacional ?frouxa? ? A maioria dos clubes publicam em seus sites oficiais a programação semanal de treinos. Trata-se de uma referência principalmente para a imprensa, que cobre o dia-a-dia dos jogadores.

Comparei a programação recente do Fluminense com a de outros clubes, como Botafogo, Flamengo, São Paulo e Santos e pude constatar o seguinte : ao contrário dos outros clubes, no Fluminense houve apenas um dia de treinamento em 2 períodos na semana de 05/02 a 09/02, na qual o time não jogou no meio-de-semana. E ainda : quando o treinamento ocorria em apenas um turno, ele era programado sempre para o período da tarde. Nos outros clubes os treinos sempre usavam o período da manhã. Sabem por quê ? É simples : os jogadores de futebol são em sua maioria garotos com carrão importado, bolso cheio e mulherada dando em cima. Se o treino é sempre às 15 hs, o jogador certamente sente mais facilidade para sair na noite anterior e acordar ao meio-dia. Aí eu pergunto : por que apenas no Fluminense os treinos são na parte da tarde ? Alguns dirão que a comissão técnica é a responsável por definir esses horários, mas eu não aceito este argumento, até porque para eles próprios, que também são empregados, é mais conveniente não fazer sacrifícios. Acho que o horário deveria ser uma diretriz da própria instituição, como acontece nos clubes mais sérios que visam a melhor performance de seus atletas.

Mudando um pouco de assunto, gostaria de comentar a postura desta diretoria junto à Federação Carioca (FERJ).

A FERJ está num período de transição, sob intervenção do Ministério Público e com a Justiça tentando fazer uma devassa. Desde que o Caixa D?água morreu a presidência está vaga. Atualmente existem 2 blocos bem definidos : a oposição, que compreende Flamengo, Botafogo e América, e a situação, totalmente desinteressada em mudar o status quo, que é representada pelo Vasco, todos os clubes pequenos e ligas de interior. Já há algum tempo o Fluminense tem se posicionado ao lado do Vasco, atuando de forma vergonhosa e na sombra de figuras nefastas como Eurico Miranda.

E este pra mim é um grande mistério do Fluminense. Eu poderia até tentar entender o posicionamento ao lado do poder se esta situação tivesse proporcionado ao Fluminense benefícios técnicos tais como a boa-vontade das arbitragens e privilégios na confecção de tabelas, como sempre ocorreu com o Vasco da Gama.

Entretanto, não é isso que ocorre : analisando apenas o atual campeonato, vi o Fluminense ser prejudicado pela arbitragem nos jogos contra Nova Iguaçu e Volta Redonda. Em contrapartida, os insurgentes Botafogo e Flamengo foram beneficiados escandalosamente contra Cabofriense e Boavista, respectivamente. E a tabela ? Pelo segundo ano consecutivo o Fluminense aceita passivamente jogar contra os dois pequenos mais difíceis fora-de-casa (Volta Redonda e Americano). Enquanto isso, o Vasco não vai jogar em nenhuma destas cidades e o Flamengo sabiamente conseguiu tirar o seu jogo de Campos, atuando contra o Americano no campo neutro de Volta Redonda. Além disso, a tabela atual também trouxe e trará prejuízos financeiros : o Fla-Flu vai acontecer numa quinta-feira, Vasco x Flu no sábado de Carnaval e na primeira rodada a torcida do Flu lotou o estádio para dividir a renda por 4, por causa de uma rodada dupla inoportuna.

Já ouvi dentro do clube que não adianta ficar na oposição porque pelas regras estatutárias da FERJ o bloco formado pelos clubes insatisfeitos ainda seria insuficiente para derrotar a situação, onde o voto de um clube pequeno tem o mesmo peso que o voto de um grande clube.

Mas a posição da direção atual, que atua voluntariamente como um ?capacho? do Eurico, não tem gerado nada de positivo para o Fluminense : continuamos sendo prejudicados dentro de campo, na confecção de tabelas e recebendo críticas da opinião pública.

Se houvesse um pouco mais visão e ousadia, o momento seria ideal para o Flu lançar um nome próprio, aproveitando o assédio do bloco da oposição e funcionando como o fiel da balança neste cenário. No mínimo o clube ganharia mais respeitabilidade da imprensa e da opinião pública. E mesmo que o bloco da oposição seja derrotado nas urnas eu acho que haveriam benefícios : as linhas de conduta de Flamengo e Botafogo estão provando que partir para o ?choque? fora de campo traz muito mais respeito dentro dele que a postura submissa e covarde adotada por Horcades & Cia.

Pra finalizar gostaria de deixar aqui o meu protesto contra mais uma decisão absurda do Sr. Roberto Horcades : pra quem não sabe, recentemente o Vice-Presidente de Finanças, Sr. Carlos Henrique Ferreira, decidiu entregar o cargo. O Presidente, que planeja a reeleição em novembro próximo mas que a cada dia está mais isolado dentro do seu próprio Conselho Diretor, apelou para que seu aliado permanecesse na diretoria. Em troca o Sr. Carlos Henrique Ferreira pediu o comando das divisões de base (por favor não me perguntem o porquê).

Mesmo sabendo que o seu aliado nada conhece do assunto, o Presidente distribuiu uma circular interna nomeando o Sr. Carlos Henrique Ferreira como o novo ?Prefeito de Xerém?.

Irritados porque não foram sequer consultados sobre mais este desmando baseado apenas na politicagem barata e sem considerar qualquer prerrogativa sobre perfil para o cargo e competência no assunto, todos os diretores do CTVL entregaram seus cargos de forma conjunta : Marcelo Teixeira, Cássio Miranda Neto, Nardo Gutlerner e Eduardo Bassan.

Se não considerarmos a Unimed, as divisões de base são o último pilar que sustenta atualmente o clube, com vários bons jogadores revelados por ano (Roger, Rodolfo, Carlos Alberto, Antônio Carlos, Arouca, Diego Souza, Marcelo, Lenny e outros), o que tem permitido algum retorno técnico e precioso suporte financeiro.

O trabalho realizado no CTVL é reconhecido pela mídia, pela maior parte da torcida e pelos profissionais do meio, por isso, muita gente do próprio Conselho Diretor tentou reverter a decisão do Presidente Horcades, que abriu a chance de retrocesso.

Irredutível, Horcades preferiu manter sua decisão e dar plenos poderes a um aliado político, num setor em que ele nada conhece. Não ligou para o fato de perder os diretores responsáveis pelo trabalho mais reconhecido do Fluminense, há vários anos.

O assunto caiu como uma bomba dentro do Conselho Diretor e provocou uma carta de repúdio do Vice Geral do clube, retirando totalmente seu apoio ao Presidente, e a renúncia de vários Vice-Presidentes, dentre eles David Fischell (Vice de Projetos Especiais) e Sérgio Galvão (Vice-Médico).

Como se pode ver, o Fluminense é autofágico. Se não bastassem todos os adversários e abutres externos, ainda existem aqueles que preferem destruir o trabalho sério de alguns setores em troca do famoso ?toma-lá-dá-cá? e da politicagem barata.

Pobre Fluminense !

Saudações Tricolores

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