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Em Caso De Desastre, Os Culpados São Evidentes (13/11/2006)

Caros Tricolores,

Escrevo esta coluna no dia seguinte ao patético empate do Fluminense em 0x0 contra a modestíssima Ponte Preta, em pleno Maracanã, num jogo em que o time atuou o segundo tempo inteiro com um jogador a mais. Com isso, a equipe montada pela gestão Roberto Horcades & Cia conseguiu a proeza de completar 12 jogos seguidos sem vitória, faltando apenas um para igualar a pior sequência da história do clube*. Além disso, desde julho/2006 foram apenas 3 míseras vitórias, dentre Campeonato Brasileiro e Copa-Sulamericana. Este período é sem dúvida alguma o mais sombrio da história do Fluminense, mas infelizmente para nós torcedores, nada no futebol acontece por acaso.

O problema do Fluminense não é a falta de camisa e nem a falta de sorte, e sim a falta de competência das PESSOAS que estão no poder do clube há mais de 20 anos, período em que o Flu acumulou inúmeras frustrações, dentre as quais as maiores da sua história.

O Fluminense trabalha errado faz tempo. A derrota dentro de campo na verdade é apenas um reflexo deste mau trabalho. O futebol normalmente não perdoa erros, e é mais impiedoso ainda com aqueles grosseiros e que são cometidos de forma repetida pelo comando do Fluminense.

No caso específico da "gestão" atual, as derrotas em sequência são reflexos do péssimo trabalho na montagem do elenco (onde vingaram apenas 2 jogadores - Roger e Thiago Silva - dos cerca de 15 contratados); no planejamento financeiro (que permitiu deixar o clube à deriva desde agosto/2006 em relação ao pagamento de salários); na estrutura de trabalho (que obriga jogadores a treinar em um campo esburacado, de piso duro - que favorece as lesões - e dimensões pequenas, muito menor que o campo de jogo do Maracanã, onde o time atua como mandante); na risível inter-temporada realizada em Joinville (onde o preparador-físico principal ainda não havia chegado da Arábia e boa parte dos jogadores permaneceu gripada durante toda estadia devido ao frio intenso local); no departamento médico (cujos absurdos ainda não explicados estão narrados nas minhas colunas anteriores) e na inacreditável troca de 6 comissões técnicas dentro de apenas 1 ano.

Reflitam, por favor : como isso tudo poderia dar certo ? Como não pagar o preço dentro de campo por tantos erros cometidos pela gestão ?

Outro exemplo : todo mundo sabe que o Fluminense é um clube falido, mas na "gestão" atual existem desde o início 2 dirigentes no departamento de futebol, contratados com salários similares aos executivo de empresas multinacionais, cujas funções de trabalho são visivelmente sobrepostas : no início eram Gustavo Mendes e Paulo Behring, mas o segundo acabou demitido há alguns meses. Agora o Alcides Antunes assumiu o cargo que pertencia antigamente ao Behring.

É inacreditável ! Em qualquer empresa séria do mundo, toda a cúpula decisória do negócio cairia sumariamente muito antes de acumular tantas fracassos, mas no Fluminense atual é triste constatar que alguns apadrinhados do Presidente permanecem incólumes, mesmo diante de resultados tão pífios. Depois reclamam quando a gente chama a administração de condomínio...

Nesta reta final, a maioria dos jogadores até que têm tentado dentro de campo. O time até que tenta lutar, mas está muito mal treinado e quase sempre "apaga" fisicamente no segundo tempo, o que têm proporcionado as adversários vários gols no final das partidas, como ocorreu nas derrotas para Grêmio e Botafogo. A culpa maior não é deles, e sim da péssima inter-temporada realizada durante a Copa do Mundo e da troca constante de preparadores-físicos.

Além disso, o grupo ainda tem que aturar a omissão de prima-donas como o Pet, que ganha R$300 mil mas está de chinelinho na fase decisiva, onde o grupo mais precisa dele, e a péssima atuação em bastidores desta diretoria, cuja incompetência fica evidente a cada jogo, a ponto do time ter chegado ao cúmulo de ser roubado num jogo decisivo contra o praticamente rebaixado São Caetano, um adversário insignificante no futebol, do ponto de vista comercial.

Mas o que mais me impressiona é a falta de comando, de cobrança. Reparem que o departamento médico não é cobrado pelo Thiago ter ficado o ano inteiro no chinelinho ou por ter liberado o Arouca sem condições mínimas para o jogo semi-final da Copa do Brasil; o Pet não é cobrado para se empenhar no tratamento; o PC Gusmão não é cobrado sobre o porquê da barração do Roger, jogador mais regular da temporada, e do não-aproveitamento do Beto, que foi bem no ano de 2005; o Marketing não é cobrado por arrecadar apenas cerca de R$ 20 mil em licenciamentos por mês; o Conselho Diretor não cobra a omissão do Presidente e assim sucessivamente.

Infelizmente o grupo político do qual faço parte previu o desastre atual bem antes. Sabíamos que diante de qualquer fase de dificuldades essa diretoria atual não teria condições de tirar o clube de um possível atoleiro esportivo e/ou financeiro. Assim como não teve capacidade para aproveitar o precioso investimento feito pelo patrocinador.

Foi por isso que, mesmo diante de uma proposta para composição que oferecia cerca de 80 cadeiras no Conselho Deliberativo e mais 4 Vice-Presidências, entre elas a Vice-Presidência de Futebol, os integrantes da antiga chapa Vence o Fluminense (hoje grupo Flusócio) rejeitaram a proposta de coalizão por 50 votos a 1, numa reunião plenária que aconteceu no clube Sírio Libanês, em Botafogo, logo após a desistência da candidatura do Gustavo Marins. De forma democrática, decidimos assumir posição neutra como bloco político e liberar os membros do grupo para votar em quem quisessem (a maioria esmagadora dos cerca de 100 membros aptos votou no principal candidato da oposição). Não poderíamos ter nos aliado ao que não confiávamos minimamente e o tempo mostrou que a decisão foi acertada.

Pra finalizar, independente do que vier a acontecer até o final deste campeonato, todos que querem o bem do Fluminense deveriam lutar pela EXPULSÃO COLETIVA DE TODO ESTE CONSELHO DIRETOR. Peço especial reflexão a todos aqueles que trabalharam e legitimaram esta chapa de resultados patéticos, tanto esportivos quanto financeiros, capitaneada por um pavão vaidoso e omisso, que parece não ter a noção do cargo que ocupa e que não passa um dia sequer sem proferir suas infelizes bravatas na mídia, envergonhando milhões de torcedores.

Senhores conselheiros atuais, por favor não funcionem como escudo da incompetência alheia que afunda o Fluminense para o abismo, ao tentar barrar ou esvaziar reuniões extraordinárias do Conselho Deliberativo que têm por objetivo apontar os problemas do clube e discutir os erros cometidos neste ano, bem como cobrar explicações aos verdadeiros responsáveis.

Membros da diretoria atual, admitam o que já é cristalino para toda torcida : vocês são INCOMPETENTES ! Portanto, "larguem o osso" e SUMAM DO FLUMINENSE!

* Maiores sequências de jogos sem vitórias dos 104 anos do Fluminense F.C.:

1) 13 jogos - 5 empates e 8 derrotas - de 24/10/1943 à 16/04/1944 - Arnaldo Guinle
2) 13 jogos - 7 empates e 6 derrotas - de 11/05/1974 à 14/07/1974 - Jorge Frias de Paula
3) 12 jogos - 5 empates e 7 derrotas - de 20/09/2006 à 09/11/2006 - Roberto Horcades Figueira

Fonte: Carlos José Santoro ( pesquisador )

Pra não esquecer nunca, os verdadeiros culpados em caso de desastre :

Presidente : Roberto Horcades
Vice de Futebol : Tote Menezes
Diretores de Futebol : Gustavo Mendes, Paulo Behring.
E todo restante do Conselho Diretor que legitimou essa administração.

ERRATA :

Através de ligação telefônica, membros da diretoria informam : o encontro que ocorre na noite de todas as terças-feiras não usa dinheiro do clube conforme informou esta coluna na edição passada. Trata-se de um jantar de adesão que custa R$25,00 e é aberto a qualquer associado, não é restrito apenas a membros da diretoria. Menos mal.

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