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A Torcida Do Flu Finalmente Acordou (14/08/2006)

Caros Tricolores,

Durante todos os 25 anos que acompanho futebol, um ingrediente sempre me pareceu primário para atingir as vitórias : o empenho da equipe e a entrega de seus jogadores em campo. E no futebol moderno, onde a boa preparação física é um pré-requisito para jogar, talvez o empenho seja o fator principal para atingir o sucesso, no mesmo nível da capacidade técnica e da aplicação tática. A dedicação e o suor dos jogadores em campo é o mínimo que o torcedor de qualquer time espera.

Mas na vergonhosa derrota da semana passada, o empenho passou longe. Perdemos merecidamente por 3x0 para uma modestíssima Ponte Preta, desfalcada de 8 jogadores e com um jogador expulso desde os 15 minutos do segundo tempo. Este cenário já teria sido catastrófico, mas o que aconteceu em campo foi ainda pior : o adversário merecia ter goleado e o Fluminense sequer conseguiu chutar a gol durante todo o segundo tempo, quando atuou com um jogador a mais. E "de lambuja" ainda perdemos um penalti quando o jogo ainda estava 0x0.

Em times grandes como o Fluminense, apesar de todos os problemas, derrotas como aquela realmente não podem ficar impunes, até porque sabemos que o fato não foi eventual, e sim o mais evidente vexame após uma série de más atuações recentes.

Como mesmo na derrota pode-se tirar algo de positivo, me deu alguma esperança em dias melhores o fato da torcida tricolor ter finalmente reagido. Independente da inevitável e esperada queda do treinador, o protesto de sócios e torcedores organizados ocorrido na segunda-feira, e continuado na terça-feira, foi o que melhor aconteceu nesta semana. Felizmente o torcedor tricolor reagiu à falta de vergonha e ao descompromisso de alguns jogadores com a nossa camisa, à falta de atitude de boa parte da diretoria e ao incontável número de fracassos recentes nas horas decisivas. O torcedor mostrou presença dentro do clube, mostrou à imprensa do país toda sua insatisfação e a sua cobrança por dias melhores. Em resumo, a torcida mostrou algo que há muito tempo parecia distante : ATITUDE.

Logicamente alguns se excederam : não precisava ter usado bombas, aliás, sou contra qualquer protesto que ameace a integridade física e patrimonial de atletas, dirigentes e da própria instituição. Entretanto, na prática ninguém se machucou, nada foi quebrado e o efeito moral me pareceu positivo, principalmente junto aos jogadores, que precisam entender de uma vez por todas que jogam num clube de muita história, que tem um patrocinador exigente e cuja grande torcida precisa urgente de conquistas de peso. Na história só existe espaço para os grandes vencedores, e é isso que o Fluminense precisa : títulos nacionais e/ou internacionais. A torcida deixou claro que boas campanhas e vitórias estaduais não bastam.

Pra quem acha que nada disso vale à pena, permita-me discordar. A atitude da torcida gritando palavras de ordem contra os principais e mais caros jogadores do elenco como Petkovic, Tuta, Rogério e Pitbull chama a atenção da mídia para suas péssimas fases, além de expô-los ao ridículo. É um tipo de protesto válido que normalmente dá subsídios para uma maior cobrança por desempenho, seja essa cobrança interna (através da diretoria, patrocinador ou comissão técnica) ou externa (as matérias do RJ-TV e do SportvNews na segunda-feira à noite foram excelentes, cobrando explicações dos atletas. A narrativa dos fatos pelo jornal Lance também foi muito positiva e bastante fiel aos acontecimentos).

O resultado de toda essa turbulência nós vimos hoje na boa vitória contra o Cruzeiro. Se a atuação não foi brilhante, pelo menos o time mostrou valentia para virar o placar, coisa inimaginável nos últimos jogos. Procurei prestar atenção e vi um Petkovic mais ligado no jogo, participando de dois gols. Vi também o Tuta ainda muito mal tecnicamente, mas pelo menos tentando cobrir a subida dos volantes adversários, além de ter mostrado oportunismo e concentração no lance decisivo do jogo. Vi um Pitbull mais participativo e um treinador iniciante, mas com entusiasmo e motivação à beira do campo. E ainda mostrou ter "estrela" ao conquistar sua quarta vitória em 4 jogos no futebol profissional, todas fora-de-casa, num retrospecto positivo e até surpreendente. Hoje o time ao menos mostrou algum empenho em campo e acabou premiado. Isso é o mínimo que a torcida espera.

Ainda sobre o protesto do início da semana, me agradou também a forma como o torcedor do Fluminense reagiu à tentativa de parte da mídia de jogar a nossa torcida contra o patrocinador Unimed. Felizmente parece que a maioria dos tricolores já está vacinada contra torcedores rivais travestidos de jornalistas como Renato Maurício Prado, Fernando Calazans, Mauro Leão, Juca Kfouri e outros, cujo interesse EVIDENTE é aproveitar uma crise de resultados para enfraquecer ainda mais o Fluminense, adversário direto de seus clubes de coração. Existem também os imbecis como o Paulo Stein do programa Esportvisão da TVE, que insiste em considerar ruim e oportunista uma parceira que está junto ao Fluminense desde o caos da Série C e hoje injeta anualmente mais de R$12 milhões no clube. Parece não ter a capacidade mínima para perceber o quão difícil é encontrar um parceiro disposto a investir no mundo do futebol, vide exemplos de grande clubes como Vasco e Cruzeiro, que estão há anos sem patrocinadores nas suas camisas, perdendo mensalmente uma fonte de receita muito importante.

E o Oswaldo de Oliveira hein ? Será que alguém discute a sua péssima passagem pelo Fluminense em 2006 ? Senão vejamos : sob seu comando o time tinha vencido apenas 6 dos últimos 21 pontos disputados, com o agravante de ter havido 40 dias para treinamentos durante a Copa do Mundo. E pra completar, foi sob o seu comando que o Fluminense deixou escapar uma Copa do Brasil das mais fáceis de todos os tempos, com o time levando um verdadeiro nó-tático de um principiante como o Renato Gaúcho, à frente de um Vasco da Gama tecnicamente inferior. Além disso, em nenhum momento o Oswaldo mostrou ter o time nas mãos, havia problemas internos com alguns jogadores, o que evidentemente também pesou contra ele. Então, será que alguém ainda insiste em repetir os bordões da imprensa tais como aquele argumento de que "em crise sobra sempre para o coitado do treinador" ? Eu até reconheço que o Oswaldo de Oliveira já teve boas passagens em outros clubes no passado e até no próprio Fluminense em 2001, mas especificamente em 2006 seus resultados foram modestíssimos e sua demissão me pareceu acertada. Pior seria se não houvesse fato novo nenhum após a vexatória derrota para a Ponte Preta.

Infelizmente, o Oswaldo preferiu justificar para o grande público o seu fracasso de resultados disparando contra uma possível interferência do patrocinador. Logo ele que manteve o goleiro Diego na reserva durante toda a sua passagem nas Laranjeiras, que manteve o Pitbull no banco e que chegou a barrar o Tuta em algumas rodadas. Todos estes são jogadores pagos pela Unimed, e não acredito que tenha havido interferência alguma, até pelo tempo em alguns destes jogadores estão como suplentes. Mas talvez tenha ficado mais conveniente para o Oswaldo posar para a mídia como "ético" e "independente".

Por parte da Unimed, eu acredito sim ter havido cobrança por resultados e mudança de rumo, o que eu acho normal e inclusive apóio integralmente. Mas duvido que tenha havido qualquer pressão na escalação. O próprio Abel Braga, ao ser questionado sobre o assunto, afirmou em entrevista recente que nunca houve isso durante toda a sua passagem pelo Flu em 2005.

E pra finalizar : eu acho legítimo que o patrocinador cobre resultados e mudanças de postura. Acho que devemos criticar sempre as contratações que deram errado, mas sabendo que a última palavra para contratar é sempre do clube, e que todas as contratações são definidas em conjunto pelo comando do futebol, pelo departamento médico e pela Unimed (que participa principalmente avaliando a possibilidade financeira de trazer o jogador). Tenho conhecimento que o patrocinador até sugere alguns nomes, mas a decisão final é tomada pela diretoria.

Sinceramente, acho insano considerar essa estória da Unimed "empurrar" jogador para o clube pensando apenas em visibilidade e não nos resultados. Uma prova de que o clube tem total autonomia nas decisões é o caso do Romário, artilheiro máximo do Brasileirão 2005 e cogitado pela Unimed no início de 2006 : a direção do futebol disse NÃO e ele não foi contratado. Outro exemplo foi o veto à contratação do Euller no início de 2004, feito pelo departamento médico, mesmo após o acerto entre o jogador, o clube e a Unimed. Estes casos específicos mostram claramente que as contratações são feitas em regime de colegiado, com a palavra final sendo do clube, a não ser talvez no caso de jogadores indiscutíveis como Petkovic. Então, especificamente nos casos de Bruno, Rissut, Jean, Angelo, Pedrinho, Pitbull, Rogério e Tuta, tenho certeza do seguinte : se o clube tivesse apresentado alternativas melhores e igualmente viáveis financeiramente, provavelmente a grana da Unimed estaria sendo aplicada em jogadores mais efetivos e competitivos. Não faz sentido algum achar que estes jogadores medianos foram contratados com o objetivo principal de trazer maior visibilidade ou marketing para o patrocinador. Isso é mais uma "pérola" que parte da imprensa tenta propagar, seja por má-fé ou por completa incapacidade em analisar minimamente os fatos.

Saudações Tricolores !

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