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A Falta De Cobrança E O Reflexo Em Campo (06/08/2006)

Caros Tricolores,

Durante a semana passada, ouvi no rádio um depoimento do Celso Barros cobrando resultados, colocando inclusive a continuidade do patrocínio em xeque para o ano de 2007 caso uma vaga na Libertadores não seja alcançada.

O próprio Celso Barros logicamente sabe que uma rescisão não é tão simples assim : ao assumir o pagamento das parcelas da dívida do Fluminense com a Cia Docas S.A., a Unimed acabou renovando o acordo com o clube por mais 3 anos. Entretanto, o contrato de licenciamento prevê apenas o aporte de uma quantia mínima mensal, quase inexpressiva para as cifras do mundo do futebol.

Além disso, o contrato não obriga o patrocinador a pagar os direitos de imagem de nenhum atleta. A Unimed usa este expediente como estratégia para aumentar a competitividade do time e consequentemente a visibilidade de sua marca, além disso, a transferência de salários diretamente para a conta dos jogadores evita possíveis problemas com penhoras, que sempre ocorrem no caixa dos clubes. Apesar dos erros em algumas contratações recentes como Pedrinho, Jean, Rissut e outros, trata-se de um modelo satisfatório para todos os lados : o clube tem a possibilidade de contratar jogadores de ponta gastando apenas de 10% a 20% do que recebem no mercado, os atletas ficam praticamente livres da possibilidade de atrasos nos salários e a Unimed ganha com a maior exposição na mídia.

Acho prudente a diretoria levar a sério a bronca do patrocinador, porque ele pode sim retirar boa parte dos investimentos e mesmo assim continuar estampando sua logomarca na camisa do Fluminense. Como todo tricolor, o Celso Barros também deve estar de saco cheio com tantos fracassos na hora decisiva e com tão pouca cobrança visível por parte da diretoria sobre comissão técnica e jogadores.

Particularmente achei ótima esta cobrança por parte da Unimed : se ninguém no clube assume esta postura, então o Presidente do patrocinador acabou tomando a frente do processo e dando o seu recado. Ótimo! A permissividade no Fluminense chegou ao ponto da programação semanal apontar dois dias de folga seguidos para um time que acabou de voltar de um recesso de 40 dias, vem jogando apenas nos finais de semana, e isso logo após um tropeço em casa contra o São Caetano e um empate no Sul contra o Grêmio com sabor de derrota devido às circunstâncias da partida. Aí eu pergunto : como o clube quer o respeito dos profissionais trabalhando desta forma ? A impressão que a direção passa para todo o grupo é que os resultados "vão muito bem, obrigado".

Após a cobrança do patrocinador, ouvimos jogadores, comissão técnica e até o Presidente Horcades falarem seguidamente na mídia que "desta vez a vaga na Libertadores não escapa". Pra mim estas declarações são ainda mais frustrantes ! Hoje em dia só vejo no futebol brasileiro dois elencos melhores que o Fluminense : são eles Internacional e São Paulo. Mas ambos estão envolvidos numa final de Libertadores e devem poupar seus titulares por mais duas semanas, o que pode custar a perda de outros pontos preciosos na tabela, conforme vem acontecendo nas últimas rodadas. Então, por que o discurso das pessoas que representam o Fluminense nunca menciona o título ? A vaga na Libertadores será muito bem-vinda, sem dúvida alguma, mas por que não falar em título se existe de fato alguma possibilidade ? O objetivo para um time grande tem que ser sempre o título ! Esse deveria ser o discurso, até para que os jogadores e a CT se familiarizem com esta meta e saibam que serão pressionados para alcançá-la. Dentro deste contexto, uma possível vaga na Libertadores serviria como consolo para a perda do título, e não como objeto de comemoração e triunfo.

Sobre o time dentro de campo, não consigo entender o abandono do esquema 3-5-2, que vinha conseguindo os melhores resultados do ano até aqui. Não consigo entender a opção da CT em jogar num 4-4-2 quase "kamikaze", com dois meias que têm muita dificuldade da marcação (Pet e Juliano), expondo todo o sistema defensivo. É verdade que os três zagueiros titulares são Thiago Silva, Thiago e Roger, mas mesmo sem algum deles a CT tem opções para manter o 3-5-2 : ela pode usar o Marcão como líbero (como este jogou em grande parte do ano de 2005, com bom desempenho) ou então apostar no jovem Anderson, um bom zagueiro da seleção sub-20 que tem tudo pra se firmar. Em último caso, até a escalação do Gabriel Santos funcionou melhor do que este 4-4-2 atual, que elevou drasticamente a média de gols sofridos. Será que o nosso treinador não enxerga o óbvio ?

Apesar do bom rendimento do Juliano, se mostrando um jovem muito promissor e um jogador muito útil, a sua manutenção na equipe não vale o risco de uma escalação com apenas 2 zagueiros, deixando o time sempre exposto ao contra-ataque adversário, sobrecarregando o Arouca no meio e impossibilitando um avanço mais agressivo do Marcelo, que pra mim é hoje o melhor jogador do Fluminense. O próprio Rogério, que vem mal há muito tempo, teve uma melhora de rendimento quando foi usado o esquema 3-5-2, onde ele tem mais liberdade e segurança para o apoio. No futebol de hoje, a capacidade de marcação e ocupação de espaços é prerrogativa básica para vencer, e o nosso time atual quando é atacado mais parece um "queijo suíço", cheio de buracos em sua defesa, assim fica muito difícil.

Falando agora sobre os problemas financeiros, não discuto a necessidade imediata de fazer caixa negociando algum jogador. Isso infelizmente é um problema de quase todos os clubes do futebol brasileiro, e ainda mais no Fluminense, que pagou suas duas últimas folhas de pagamento com empréstimos bancários.

Entretanto, minha luta será sempre pela venda por um valor mais justo e favorável ao clube. O mínimo que a torcida espera é que a diretoria não se renda à primeira proposta que aparecer pelos principais talentos, e que saiba negociar minimamente com o que tem a seu favor, por exemplo : recentemente ouvimos que o CSKA estaria disposto a contratar o jovem Marcelo por cerca de US$5 milhões. Então, independente de qualquer acordo prévio que já tenha sido estabelecido, é evidente que o cenário mudou : o Marcelo foi convocado para a seleção brasileira principal, o que certamente aumenta seu valor no mercado. Será inadmissível para o torcedor se a diretoria aceitar no futuro cifras oferecidas no mesmo patamar anterior à convocação.

Para o torcedor um recado : apesar dos seguidos fracassos em momentos decisivos, não abandone o Fluminense ! Compareça aos jogos, pressione a arbitragem e cobre resultados de jogadores e comissão técnica como um todo, e não perseguindo um atleta específico com vaias quando ele pega na bola, isso pra mim é pouco inteligente e de forma alguma vai melhorar o rendimento do atleta na partida. Na prática o desempenho tende sempre a piorar, o que se torna ainda mais grave quando faltam substitutos no elenco.

O Fluminense precisa urgente de uma conquista, de grandes vitórias e de adquirir maior respeitabilidade por parte dos profissionais que o representam. E isso só virá com cobrança inteligente por parte do torcedor, com pressão por resultados e com presença atuante da torcida junto ao clube. Está evidente que a mudança de postura tão desejada por todos nós também depende em parte da mobilização da torcida.

Saudações Tricolores !

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