Erros, Cobrança, Trabalho E Atitude (18/05/2006)
Caros Tricolores,
Particularmente, não acredito nesta estória de ?escrita?, ?mística? ou ?azar?. Acredito muito mais em competência, acerto nas decisões administrativas, boa atuação nos bastidores e principalmente no trabalho em campo.
Perdemos a semi-final da Copa do Brasil para o modesto time vascaíno simplesmente porque os jogadores adversários conseguiram superar os nossos em fatores decisivos numa eliminatória, como empenho, atitude, pegada, organização tática, aplicação e concentração. Em decisões, principalmente em clássicos, todos estes fatores ficam em primeiro plano, não basta apenas ter um time teoricamente mais talentoso.
Eu gostaria que me citassem algum time na história do futebol recente que tenha obtido sucesso contando com 5 ou mais jogadores acima de 30 anos em sua composição titular. Alguém consegue lembrar ? Pois bem, o Fluminense entrou em campo nos dois jogos contra o aguerrido time do Vasco com nada menos que 5 jogadores veteranos : Marcão (33), Petkovic (33), Roger (31), Rogério (30) e Tuta (31). Será que é tão difícil perceber que um time com tantos veteranos, principalmente do meio para a frente, se torna presa fácil para a marcação adversária ?
O que vimos em campo nos dois jogos foi um time completamente preso, estático diante da marcação adversária e totalmente dependente de apenas um jogador de criação (Petkovic). O Flu não teve a movimentação e a correria quando mais precisava, conseguia domínio territorial mas criou poucas chances efetivas de gol. Além disso, a idade avançada pesa no segundo tempo e ficou evidente que o Flu começou avassalador nos dois jogos, mas em ambos caiu de rendimento na etapa final.
Ainda examinando com mais frieza o rendimento tricolor nas duas partidas, pra mim ficou claro que um time de garotos limitados, mas aplicados e com muita pegada, comandados por apenas 2 jogadores experientes (Ramon e Edílson), é mais efetivo no futebol moderno que um time formado por muitos jogadores veteranos mas decadentes fisicamente. Exceto o Roger, que vem atuando muito bem como zagueiro (aliás, a atual zaga titular é bastante confiável), todos os demais veteranos do Flu tiveram atuações pífias diante de uma marcação forte. Além disso, a contusão do Arouca, que hoje é o jogador mais importante do Flu, prejudicou ainda mais o rendimento do time e acabou desequilibrando definitivamente a decisão a favor dos malditos bacalhaus.
Mas mesmo com tantos problemas na composição do time, o rendimento poderia ter sido melhor. Alguns erros foram decisivos para a eliminação, por exemplo :
1) Que departamento médico é esse que libera um jogador visivelmente mancando (Arouca) para entrar em campo ? Será que ninguém vai ser responsabilizado ?
2) Que treinador é esse que termina o jogo decisivo com 5 atacantes em campo, dentre eles 2 estáticos de mesma característica (Tuta e Magrão) e praticamente sem jogadores de criação (só ficou o Pet, e já cansado) ? Após essas absurdas substituições o Fluminense só não levou mais gols por acaso e se tornou um bando em campo, sem qualquer organização tática. Eu até que gosto do trabalho do Oswaldo, mas especificamente no jogo de ontem ele foi muito infeliz.
3) Que diretoria é essa que mesmo tendo à disposição um orçamento generoso contrata e insiste em manter no elenco jogadores de péssimo nível como Adriano Magrão, Ângelo, Bruno, Rodolfo Soares, Jean, Rissut e Gabriel Santos ? Será que é tão difícil perceber que estes não servem para jogar no Fluminense ? Eu até entendo que errar nas contratações é comum no futebol, mas insistir no erro é imperdoável. Soube por fonte segura que o Gabriel Santos terá seu contrato renovado, que vence em 31/05/2006. Independente de quem requisitou a renovação, isso pra mim é um completo absurdo ! Se analisarmos o rendimento deste jogador até aqui, não posso culpar aqueles que consideram essa renovação como ?no mínimo estranha?. Além disso, por que o zagueiro Anderson voltou para os juniores mesmo após ter se saído bem em algumas partidas em que atuou ?
4) Uma outra dúvida : por que o jovem Juliano (o único meia de criação do elenco além do Pet) não é aproveitado nunca ? Em vez disso insistem em soluções improvisadas ou então na escalação do péssimo Bruno, um ?produto? que inexplicavelmente pegamos diretamente da ?lixeira? do Grêmio.
No ?frigir dos ovos? acho que novamente o Flu esbarrou em seus próprios erros internos. De positivo ficou o fato do clube ter jogado ambas as partidas no Maracanã, impondo ao Vasco uma derrota nos bastidores. Além disso, o Flu aparentemente conseguiu sucesso ao pressionar pela escalação de árbitros de outros estados, que não estão sob a direção da FERJ e portanto mais longe da influência dos nefastos Caixa D?água e Eurico Miranda. Desta vez o nosso problema contra o Vasco foi mesmo dentro de campo, com atuações ruins do nosso time, mas sem interferência de arbitragens, como sempre ocorre de costume neste clássico.
Juntando os cacos para a seqüência da temporada, percebo que é urgente equilibrar juventude e experiência no time titular do Flu. Curiosamente, os jogadores mais produtivos da temporada até aqui são os jovens Thiago Silva, Thiago, Arouca, Marcelo e Lenny. Que sejam então revelados e/ou contratados jogadores com o mesmo perfil, principalmente um lateral-direito que consiga apoiar com a eficiência que o esquema 3-5-2 necessita, um meia-de-ligação que possa ajudar o Pet a municiar o ataque (por que não experimentar o Juliano?) e também um atacante de maior movimentação para ser titular no lugar do estático Tuta.
O Fluminense precisa de jogadores jovens, compromissados e ?voando fisicamente?. Gente que consiga marcar e sair rápido para o ataque. Gente que ainda deseja brilhar e ?conseguir um lugar ao sol?. Chega de contratar medalhão veterano, caro e decadente !
Ainda sobre a derrota de ontem, vale lembrar que em 2000 o Flu eliminou os malditos bacalhaus dentro de São Januário, quando tínhamos um time infinitamente inferior. Em 1988 o Flu mandou o Vasco pra casa nas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro, quando eles eram favoritos e disparados o melhor time da competição. Em 1984 o Tricolor venceu a final do Campeonato Brasileiro em cima deles.
Ontem levamos o troco, mas basta examinar a história para perceber quem continua sendo freguês em disputas decisivas nacionais. A seqüência de insucessos contra o Vasco incomoda a todos os tricolores, mas o Flu tem todas as condições de reverter este quadro no curto prazo. A nossa torcida também tem um papel muito marcante neste processo : o mais importante é não se entregar, não abaixar a cabeça para as provocações dos rivais e não abandonar o clube diante dos insucessos esportivos. A chave para a volta das conquistas é confiança, cobrança, mobilização, trabalho e atitude, em todos os níveis da instituição (diretoria, associados, comissão técnica, jogadores e torcida). Se fizermos isso de forma sempre crescente, eu tenho certeza que um dia os títulos voltarão com a frequência de antigamente.
A benção João de Deus !
Saudações Tricolores
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